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Anfíbios · CUIDADOS ESSENCIAIS

Cuidar de anfíbios: água, terra e pele sensível

O axolote adulto permanece na água. A rã-anã-africana também vive num aquário, mas sobe regularmente à superfície para respirar. Já a rã-arborícola-de-White passa grande parte do dia pousada acima do solo. Estas 3 espécies mostram como as necessidades de habitat dos anfíbios podem variar.

Os anfíbios absorvem água pela pele, por isso os resíduos presentes na água ou nas mãos podem prejudicá-los. A temperatura do corpo também depende do ambiente. Antes de comprares um, procura saber de que temperatura da água ou do ar a espécie precisa e se a consegues manter em casa de forma estável. A origem e a fase de vida do animal também podem influenciar essas necessidades. Não deves simplesmente copiar as condições de um terrário para répteis.

Rã-arborícola-de-White verde com manchas claras, pousada num ramo
Começa pela espécie
Os anfíbios que vivem na água, nas árvores ou no solo precisam de espaços organizados de formas diferentes e de temperaturas adequadas a cada espécie.
Analisa a água
A água dos anfíbios deve receber o tratamento adequado e ser analisada regularmente. Mesmo para as rãs aquáticas pequenas, a corrente do filtro e a temperatura devem ser adequadas à espécie.
Protege a pele
As mãos, os utensílios e os produtos de limpeza não devem deixar resíduos prejudiciais no animal ou na água.
Planeia a alimentação
O tamanho das presas, a frequência das refeições e os suplementos dependem da espécie e da fase de vida.

3 modos de vida, 3 formas de organizar o habitat

O axolote é uma salamandra que, mesmo adulta, conserva as brânquias externas, estruturas que lhe permitem respirar na água. Vive sempre na água e precisa de água fria, espaço no fundo do aquário e uma corrente suave produzida pelo filtro. As rãs-anãs-africanas do género Hymenochirus também vivem na água, mas têm de conseguir chegar livremente à superfície para respirar ar. São muito mais pequenas. Por isso, o aquário deve ter uma tampa segura e um caminho desimpedido até à superfície.

A rã-arborícola-de-White precisa de espaço para trepar. Os ramos horizontais estáveis, as folhas largas e os locais abrigados onde pode pousar devem permitir-lhe circular e escolher entre diferentes lugares de repouso. Já uma rã-de-chifres, que vive no solo, precisa sobretudo de espaço utilizável no chão e de um revestimento húmido adequado. Ao preparar o habitat, considera como o animal adulto se desloca, onde descansa e de quanto espaço precisa.

A fase de desenvolvimento também altera as necessidades. Muitas rãs começam a vida como girinos aquáticos. Com a metamorfose, transformam-se em rãs jovens e passam a viver sobretudo fora de água. Nessa altura, a rã jovem precisa de uma saída segura da água. O axolote, pelo contrário, conserva as brânquias externas e continua a viver inteiramente na água quando é adulto.

Tratar a água e preparar o filtro

A pele permeável dos anfíbios também absorve substâncias presentes na água. O cloro e a cloramina, que podem ser usados para desinfetar a água potável, bem como os resíduos de produtos de limpeza, podem prejudicá-los. O tratamento necessário para a água da torneira depende do abastecimento local. Deixar a água repousar não remove a cloramina de forma fiável. A água destilada também não substitui água com um teor adequado de minerais.

Num aquário, deves medir regularmente a temperatura e os níveis de amónia, nitrito e nitrato. O pH indica se a água é ácida ou alcalina. A dureza da água corresponde à quantidade de cálcio e magnésio dissolvidos. Os valores adequados dependem da espécie de anfíbio.

Num aquário novo, é preciso dar tempo às bactérias para se multiplicarem no filtro. Elas transformam a amónia tóxica em nitrito, também tóxico, e depois em nitrato. Esta preparação chama-se ciclagem do aquário. Deve decorrer sem animais, para que não fiquem expostos à amónia ou ao nitrito durante esta preparação. As bactérias precisam de uma fonte de amónia para se multiplicarem. Podes usar um produto à base de amónia expressamente indicado para a ciclagem de aquários. Segue as instruções do fabricante para a dosagem e para os momentos em que deves analisar a água. Primeiro sobe o nível de amónia e, mais tarde, o de nitrito. À medida que as bactérias se multiplicam, ambos descem. O filtro só está preparado para receber os primeiros animais quando consegue processar a amónia de novas doses do produto. Análises posteriores devem mostrar repetidamente que os 2 valores, amónia e nitrito, voltaram a zero.

Depois da chegada dos animais, as mudanças parciais de água ajudam a remover resíduos dissolvidos. Para isso, retiras uma parte da água e substituis essa água por água nova devidamente tratada. Também deves retirar restos de comida e fezes. Se for necessário enxaguar o material do filtro, fá-lo com cuidado em água retirada do aquário, para ajudar a preservar as bactérias.

As rãs aquáticas também precisam de zonas calmas e de um caminho livre até à superfície para respirar. A saída do filtro não deve empurrá-las continuamente para longe. O aquário dos axolotes ou das rãs aquáticas deve ser preparado para a espécie em causa. Manter peixes no mesmo aquário pode causar problemas: um axolote pode comer peixes pequenos, enquanto alguns peixes mordiscam as suas brânquias sensíveis ou a pele das rãs aquáticas. Os peixes também podem comer a comida destinada aos anfíbios.

Os habitats terrestres húmidos também precisam de ventilação

Para as rãs que vivem em terra, um substrato adequado, ou seja, o material que cobre o chão, retém alguma humidade e oferece locais de abrigo. Podes acrescentar plantas seguras, esconderijos e um recipiente pouco fundo com água. A rã deve conseguir entrar e sair desse recipiente sem ajuda. O substrato não deve conter fertilizantes, pesticidas ou fragrâncias. Os pedaços soltos podem ser engolidos juntamente com as presas, por isso também deves ter em conta a forma como a espécie se alimenta ao escolher o material.

Depois de borrifares o habitat com água, as folhas e os restantes elementos devem poder secar. Uma boa ventilação evita que a humidade permaneça em todo o espaço. Um higrómetro mede a humidade do ar. Verifica também se o substrato está ligeiramente húmido ou encharcado. Para a rã-arborícola-de-White, uma clínica veterinária especializada indica 50 a 70 % de humidade relativa do ar e um recipiente pouco fundo com água devidamente tratada. Estes valores aplicam-se a esta espécie. Outras rãs podem precisar de condições diferentes.

Os ramos devem suportar o peso da rã e ficar bem fixos para não tombarem quando ela salta. Distribui as plantas e os esconderijos de modo a que o animal possa escolher entre locais mais iluminados onde pousar e zonas abrigadas à sombra. A tampa deve fechar bem e permitir uma boa ventilação. Assim, a rã não consegue escapar e o ar circula pelo terrário.

Ajustar a temperatura e a luz à espécie

Os anfíbios são animais de sangue frio, o que significa que a temperatura do corpo depende do ambiente. Muitos deslocam-se entre locais um pouco mais quentes e outros mais frescos. Por isso, as condições do habitat devem ser ajustadas à espécie. Os axolotes precisam de água fria. Se a casa aquecer demasiado no verão, pode ser necessário arrefecer o aquário. Segundo uma ficha de cuidados veterinários, a rã-arborícola-de-White precisa de cerca de 24 a 29 °C durante o dia e de uma temperatura mínima próxima dos 18 °C durante a noite. Os termómetros devem medir a temperatura nos locais que os animais usam. Uma medição mesmo por baixo da tampa não mostra a temperatura junto ao chão ou num ramo.

Se for necessário aquecimento adicional, um termóstato deve regular a fonte de calor. As partes quentes precisam de uma proteção que impeça o animal de lhes tocar e de se queimar. A iluminação deve assegurar uma alternância regular entre dia e noite e deixar esconderijos à sombra durante o dia. UVB significa radiação ultravioleta do tipo B. Ajuda alguns anfíbios a produzir vitamina D3, necessária para o organismo utilizar o cálcio. Para a rã-arborícola-de-White, a clínica veterinária recomenda uma fonte de UVB de baixa intensidade, com cerca de 12 horas de luz por dia. A distância à lâmpada, as barreiras que possam bloquear a luz e os suplementos alimentares devem ser planeados com uma clínica que trate anfíbios. Não deves simplesmente copiar as condições de um terrário para lagartos.

Preparar presas adequadas ao animal

Muitos anfíbios adultos comem invertebrados, animais sem coluna vertebral, como vermes e insetos. A rã-arborícola-de-White apanha sobretudo grilos, baratas e outros insetos adequados. Já o axolote alimenta-se na água, por exemplo de minhocas adequadas. As presas certas dependem da espécie. Os animais jovens precisam muitas vezes de presas mais pequenas e de refeições mais frequentes. As presas devem ter um tamanho que permita engoli-las em segurança. Retira os insetos que sobrarem do terrário antes que incomodem ou magoem a rã.

Os insetos usados como alimento, por si só, podem fornecer pouco cálcio. No método conhecido como gut loading, os insetos recebem uma alimentação adequada e nutritiva antes de serem dados ao anfíbio. Outra técnica consiste em polvilhá-los com uma pequena quantidade de cálcio ou vitaminas em pó. O suplemento indicado e a frequência de utilização dependem da espécie, da fase de vida, da exposição a UVB e do resto da alimentação. Uma clínica com experiência em anfíbios pode ajudar-te a definir o plano alimentar. Os animais usados como alimento devem vir de uma fonte fiável. Os insetos apanhados em jardins tratados podem transportar pesticidas. Os peixes de origem não controlada podem introduzir agentes causadores de doenças quando são usados como alimento.

À hora da alimentação, observa quanto o animal realmente come e se, ao longo do tempo, emagrece ou aumenta visivelmente de peso. Isto ajuda-te a ajustar as porções. É fácil dar comida a mais às rãs-arborícolas-de-White. Se um animal recusar de repente a comida habitual, verifica também a sua saúde e as condições do habitat. A temperatura, a qualidade da água e as alterações de comportamento podem dar pistas úteis.

Observar a pele e o comportamento e manter os novos animais separados

Podes observar os anfíbios sem lhes tocar. O manuseamento deve ficar reservado aos cuidados necessários ou à mudança de local. Quando tiveres de lhes pegar, usa luvas limpas, sem pó e humedecidas com água adequada. Ajudam a proteger a pele sensível do animal dos óleos da pele, do sabão e de outros produtos químicos. Lava as mãos depois do contacto. Mantém separados os utensílios usados em aquários ou terrários diferentes. Os novos animais devem, inicialmente, ser mantidos e observados à parte. Planeia este período de quarentena com uma clínica que trate anfíbios, antes de o novo animal partilhar espaço ou água com um grupo já existente.

Alterações da cor da pele, mudas de pele anormais ou invulgarmente frequentes, feridas, inchaços, fraqueza, dificuldade em mover-se normalmente ou recusa persistente de alimento devem ser avaliados por um veterinário. Doenças diferentes podem causar sinais semelhantes. Uma barriga avermelhada, por isso, não é um diagnóstico. Não experimentes medicamentos para peixes nem banhos de sal sem indicação clínica. Se o animal tiver dificuldade em respirar, estiver muito fraco ou piorar rapidamente, procura assistência veterinária imediata. Os valores de qualidade da água e das condições ambientais que tenhas registado ajudam na avaliação.

Perguntas frequentes

Todas as rãs precisam de um aquário?

Não. As rãs-anãs-africanas vivem na água e sobem à superfície para respirar. A rã-arborícola-de-White usa sobretudo um terrário alto, com estruturas para trepar e um recipiente pouco fundo com água.

A água da torneira fica segura depois de passar 1 dia num balde?

Depende do abastecimento local. Deixar a água repousar não remove a cloramina de forma fiável. Procura saber que substâncias existem na água da torneira e, antes de a usares, trata-a e analisa-a conforme necessário.

Porque se deve preparar o filtro antes da chegada dos animais?

O filtro precisa primeiro de desenvolver bactérias suficientes para transformar a amónia tóxica em nitrito, também tóxico, e depois em nitrato. Esta preparação chama-se ciclagem do aquário e deve decorrer sem animais, para que não fiquem expostos às substâncias tóxicas. Para alimentar as bactérias, podes adicionar ao aquário um produto à base de amónia próprio para a ciclagem de aquários, seguindo as instruções do fabricante. As análises mostram que a amónia sobe primeiro e o nitrito mais tarde. Ambos os valores descem quando há bactérias suficientes. Antes da chegada dos animais, o filtro deve conseguir processar a amónia de novas doses do produto. As análises feitas depois dessas doses devem mostrar repetidamente que os níveis de amónia e nitrito voltaram a zero.

Fontes e créditos das fotografias

Créditos das fotografias

Fotografia: Ranoidea caerulea - Wilhelma 02 · H. Zell · CC BY-SA 3.0. A imagem foi reduzida e convertida para o formato WebP. A cena manteve-se inalterada.

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