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Anfíbios · PERFIL DA ESPÉCIE

Rã-arborícola-de-White: espaço, temperatura e alimentação

Durante o dia, a rã-arborícola-de-White passa muitas vezes horas imóvel sobre uma folha larga ou um ramo. Ao anoitecer, trepa entre as plantas e apanha insetos. Por isso, precisa de um terrário alto, com apoios firmes e locais abrigados onde possa descansar. Dispõe os ramos e as folhas de modo a que consiga deslocar-se entre diferentes pontos.

A rã precisa de água fresca todos os dias, sem desinfetantes usados no tratamento da água que possam prejudicar os anfíbios. Mede a temperatura e a humidade nos locais onde ela costuma pousar. A sua pele absorve substâncias do ambiente, pelo que a taça de água, as tuas mãos e os utensílios devem estar livres de resíduos de produtos de limpeza. Antes de a rã chegar, mantém o terrário a funcionar durante vários dias para verificares se a iluminação, o aquecimento e a ventilação criam as condições pretendidas.

Pelodryas caerulea

Rã-arborícola-de-White verde numa superfície clara, com os discos adesivos nas pontas dos dedos bem visíveis
Aproveita a altura
Fixa bem os ramos largos. Dispõe folhas resistentes e apoios de modo a que uma rã adulta possa trepar entre eles e descansar confortavelmente.
Mede as condições
Cerca de 24 a 29 °C durante o dia e 50 a 70% de humidade são valores de referência indicados por fontes veterinárias para esta espécie.
Cuida da água
A rã deve conseguir chegar facilmente a uma taça de água pouco funda. Verifica-a e limpa-a todos os dias antes de a encheres com água fresca e adequada.
Varia as presas
Os insetos dados como alimento também precisam de uma alimentação adequada. Os suplementos de cálcio e vitaminas devem ser ajustados à idade, à dieta e à iluminação da rã.

Uma rã trepadora que pode viver muitos anos

A rã-arborícola-de-White encontra-se na Austrália e na Nova Guiné. O American Museum of Natural History identifica atualmente a espécie como Pelodryas caerulea. Em fichas de cuidados e arquivos de imagens mais antigos, pode aparecer como Litoria caerulea ou Ranoidea caerulea. Estes nomes referem-se à mesma espécie. A cor varia entre o verde e o castanho, pelo que uma coloração castanha, por si só, não indica doença.

Segundo uma ficha veterinária de cuidados, os adultos medem cerca de 5 a 11 cm de comprimento corporal. As almofadas aderentes nas pontas dos dedos ajudam-nos a trepar, mas o seu corpo robusto precisa de uma superfície de apoio suficiente. Os ramos largos e horizontais oferecem locais de repouso confortáveis. As varas lisas e inclinadas dão-lhes muito menos apoio.

Uma clínica veterinária especializada indica uma esperança de vida de 10 a 15 anos em cativeiro, por vezes mais. Ao longo desse tempo, há despesas regulares com eletricidade, insetos para alimentação e cuidados com a água. Também convém ter acesso a um veterinário que trate anfíbios. As rãs jovens comem presas mais pequenas. Acompanha a alimentação e o crescimento delas com especial atenção. Os ramos, os esconderijos e os percursos de escalada devem continuar a servir à medida que a rã cresce.

Preparar um terrário alto e funcional

Uma ficha veterinária apresenta 45 × 45 × 60 cm como medida de referência para planear um terrário alto. É um ponto de partida, não um limite máximo. Para uma rã adulta, é importante haver percursos livres entre vários apoios firmes e distância suficiente das lâmpadas e dos equipamentos quentes para que não lhes toque diretamente. Várias rãs precisam de bastante mais espaço utilizável. Os ramos e as folhas devem criar percursos para trepar sem reduzir o espaço livre para a rã se mover.

Fixa bem os ramos largos e horizontais. Coloca plantas resistentes e folhas maiores de modo a darem abrigo à rã sem bloquear a ventilação. Um refúgio mais escuro permite-lhe descansar durante o dia. A tampa e as aberturas de ventilação têm de fechar com segurança, pois até uma rã de aspeto pesado consegue trepar e fugir. Se os vidros permanecerem embaciados, verifica se o ar circula suficientemente pelo terrário.

O substrato, ou seja, o material que cobre o fundo do terrário, pode ser uma mistura de terra sem fertilizantes nem pesticidas, fibra de coco e folhas secas adequadas. Deve reter alguma humidade sem permanecer molhado. Pequenas pedras, pedaços soltos de madeira e materiais grosseiros podem ser engolidos quando a rã apanha uma presa. Se usares substrato solto, podes oferecer os insetos numa taça fácil de limpar ou um pouco acima do chão, para que menos material fique agarrado a eles.

Ajustar a temperatura, a humidade e a iluminação

Para esta espécie, uma clínica veterinária especializada recomenda cerca de 24 a 29 °C durante o dia e uma temperatura que não desça abaixo de aproximadamente 18 °C à noite. Segundo a sua ficha de cuidados, uma zona mais quente não deve ultrapassar os 32 °C. Coloca termómetros nos apoios que a rã realmente usa e numa zona mais fresca do terrário. Assim, podes verificar se ela consegue escolher entre locais mais quentes e mais frescos. Qualquer fonte de calor precisa de controlo adequado e de proteção que impeça o contacto direto com a pele.

A mesma clínica indica cerca de 50 a 70% de humidade do ar. Um higrómetro mede essa humidade e permite acompanhar a sua variação ao longo do dia. Verifica também se as folhas e o substrato conseguem secar. Depois de pulverizares água, a humidade do ar pode subir por pouco tempo. Se o substrato continuar molhado, os vidros permanecerem embaciados ou surgir um cheiro a mofo, revê a quantidade de água pulverizada e a ventilação.

As fichas veterinárias de cuidados descrevem um ciclo de dia e noite com cerca de 12 horas de luz. UVB significa radiação ultravioleta B. Uma iluminação UVB de baixa intensidade pode favorecer a produção de vitamina D3, que ajuda a rã a utilizar o cálcio. A quantidade de UVB que chega a um apoio depende da lâmpada, da distância a que está colocada, da cobertura do terrário e da idade da lâmpada. A rã também deve poder deslocar-se para a sombra. Planeia a iluminação e os suplementos em conjunto com um veterinário ou outro especialista em anfíbios.

Cuidar da taça de água e da pele sensível

A taça de água deve ser pouco funda e permitir que a rã entre e saia sozinha. Paredes altas e escorregadias não são adequadas. Limpa a taça e enche-a com água fresca e adequada todos os dias, ou mais cedo se ficar suja. O tratamento necessário para a água da torneira depende do abastecimento local. A cloramina é um desinfetante que alguns fornecedores adicionam à água. Deixar a água em repouso não a remove de forma fiável. Usa um produto adequado para a remover antes de encheres a taça. Os resíduos de produtos de limpeza não devem chegar à taça, às plantas nem à pele da rã.

Os anfíbios absorvem substâncias através da pele, pelo que é preferível observares a rã no terrário. Se for necessário deslocá-la para cuidados ou um exame, usa luvas limpas, sem pó e humedecidas com água adequada. Lava as mãos depois. Também podes fotografá-la no terrário. Na tua mão, a rã pode saltar inesperadamente, e uma queda ou a pressão exercida ao segurá-la podem magoá-la.

Mantém uma rã recém-chegada separada dos animais que já tens e combina uma avaliação de saúde com um veterinário que trate anfíbios. Até lá, também não partilhes água nem equipamento entre terrários. Usar utensílios separados reduz o risco de transportar agentes causadores de doenças de um terrário para outro. Na verificação diária, observa se a água está limpa, se a pele da rã está intacta e onde ela descansa. Confirma também a temperatura e a humidade.

Adaptar os insetos e os suplementos ao crescimento

As rãs-arborícolas-de-White alimentam-se sobretudo de invertebrados vivos, ou seja, animais sem coluna vertebral. Grilos, baratas e gafanhotos adequados oferecem variedade. Ocasionalmente, podes juntar uma minhoca de tamanho apropriado. As presas devem caber na boca da rã. Uma ficha veterinária sugere, como ponto de partida, alimentação diária para as rãs jovens e 2 a 3 refeições por semana para os adultos. Depois, ajusta as porções à condição corporal, ao tamanho das presas e à quantidade que a rã realmente come, pois esta espécie pode ganhar peso em excesso com facilidade.

A alimentação prévia dos insetos, também chamada gut loading, consiste em dar-lhes alimento adequado e rico em nutrientes antes de os ofereceres à rã. Os insetos também podem ser ligeiramente polvilhados com cálcio e, conforme o plano alimentar, com um suplemento vitamínico. A frequência depende da idade da rã, das presas, da exposição a UVB e do conjunto da dieta. Um veterinário com experiência em anfíbios pode ajudar-te a definir esse plano. Não coloques no terrário insetos apanhados num jardim que possa ter sido tratado com pesticidas.

Podes oferecer alimento ao anoitecer, quando a rã fica ativa. Retira os insetos que não forem comidos, para que não a incomodem nem se escondam e reproduzam no terrário. Se a rã deixar subitamente de comer as presas habituais, verifica a temperatura e a humidade e procura alterações na pele e no comportamento. Confirma também se a taça está limpa e se a água foi tratada de forma adequada. Se continuar a recusar alimento, consulta um veterinário, pois um período de repouso e o início de uma doença podem parecer semelhantes à primeira vista.

Reconhecer alterações cedo

Observa se a tua rã fica ativa às horas habituais, trepa com firmeza e apanha as presas. A perda de peso, a recusa persistente de alimento, os inchaços, as alterações invulgares da pele ou a dificuldade em trepar devem ser avaliados por um veterinário. Uma barriga avermelhada ou uma mudança isolada de cor não revelam, por si só, a causa. Se tiver dificuldade em respirar, estiver muito fraca ou piorar rapidamente, procura ajuda veterinária imediata.

Os registos da temperatura e da humidade, as informações sobre a alimentação e os cuidados com a água, e as fotografias da alteração ajudam o veterinário a avaliar a situação. Não uses medicamentos, banhos de sal ou produtos para peixes de aquário sem diagnóstico. Conhecer os valores habituais do terrário e o comportamento normal da tua rã ajuda-te a detetar mudanças.

Antes de adquirires uma rã, confirma que a sua origem é rastreável. No caso de um animal criado em cativeiro com origem documentada, é possível conhecer a sua proveniência, a alimentação anterior e as condições a que estava habituado. Nos primeiros dias, observa-o com calma e continua a verificar a temperatura e a humidade.

Perguntas frequentes

Um terrário é suficientemente grande só por ser alto?

Um terrário alto é útil quando os ramos firmes e as folhas criam percursos acessíveis e locais de repouso. Uma medida de cerca de 45 × 45 × 60 cm é indicada como ponto de partida para planear o terrário de uma rã adulta. Mais espaço utilizável é benéfico.

Basta deixar a água da torneira em repouso?

Depende do abastecimento local. Deixar a água em repouso não remove a cloramina de forma fiável. Trata a água de acordo com os desinfetantes usados no abastecimento.

Com que frequência deve comer uma rã jovem?

Uma ficha veterinária sugere, como ponto de partida, alimentação diária para as rãs jovens e 2 a 3 refeições por semana para os adultos. Oferece presas pequenas e adequadas e acompanha a condição corporal da rã. Os suplementos devem ser ajustados à iluminação UVB e ao conjunto da dieta.

Fontes e créditos das fotografias

Créditos das fotografias

Fotografia: Litoria caerulea - Darwin NT · Bidgee · CC BY 3.0. A imagem foi reduzida e convertida para o formato WebP. A cena manteve-se inalterada.

Fotografia: Ranoidea caerulea · TarnishedPath · CC BY-SA 4.0. A imagem foi reduzida e convertida para o formato WebP. A cena manteve-se inalterada.

Fotografia: Pelodryas caerulea · Chrumps · CC BY-SA 3.0. A imagem foi reduzida e convertida para o formato WebP. A cena manteve-se inalterada.

Fotografia: Ranoidea caerulea - Wilhelma 02 · H. Zell · CC BY-SA 3.0. A imagem foi reduzida e convertida para o formato WebP. A cena manteve-se inalterada.

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