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Peixes e aquários · COMEÇAR NA AQUARIOFILIA

Montar um aquário de água doce: tamanho, filtro e água

Um aquário precisa de ser preparado antes da chegada dos primeiros peixes. Primeiro, têm de se desenvolver no filtro bactérias suficientes para processar os resíduos de comida e os dejetos dos peixes. Esta preparação chama-se ciclagem e deve decorrer sem peixes. Enquanto o filtro amadurece, podes verificar o equipamento e preparar o aquário para as espécies que pretendes manter.

Para fazer a ciclagem, adiciona à água um produto de amónia próprio para aquários, seguindo as instruções do fabricante. A amónia e o nitrito que se forma a partir dela são tóxicos para os peixes. Os testes à água mostram que os níveis de ambos sobem e depois descem à medida que as bactérias do filtro se multiplicam. Depois de novas doses do produto, os testes feitos mais tarde têm de indicar repetidamente zero para ambas as substâncias. Só então o filtro está preparado para os primeiros peixes.

Aquário de água doce com plantas, peixes pequenos e raízes
Escolher o espaço adequado
Escolhe o aquário de acordo com o tamanho dos peixes em adultos e com a necessidade de viverem sozinhos ou em grupo.
Deixar o filtro amadurecer
Na ciclagem sem peixes, multiplicam-se no filtro bactérias que processam a amónia e o nitrito.
Verificar a água
Mede a amónia e o nitrito durante a ciclagem. Depois de adicionares novas doses do produto de ciclagem, confirma que os testes feitos mais tarde indicam repetidamente zero para ambos.
Preparar a água nova
O cloro e a cloramina são desinfetantes que podem existir na água da torneira. Um condicionador de água adequado deve neutralizá-los antes de a água entrar no aquário.

Escolhe o aquário em função dos peixes

Um peixe-dourado, um pequeno grupo de tetras e um betta que vive sozinho precisam de aquários diferentes. Antes de comprares o aquário, convém saber quanto crescem os peixes, como nadam, de quantos companheiros da mesma espécie precisam e que condições de água lhes são adequadas. O pequeno volume de água dos aquários redondos e dos recipientes decorativos dificulta a manutenção de uma temperatura e de uma qualidade da água estáveis. Muitas vezes, também não há espaço para um filtro eficaz. A RSPCA, uma organização britânica de proteção animal, aponta como ponto de partida um aquário com capacidade superior a cerca de 40 litros. Muitas espécies precisam de bastante mais espaço.

Uma superfície de água ampla facilita a troca de oxigénio entre o ar e a água. Um aquário largo também dá espaço para nadar. Cheio de água, o aquário é pesado e deve assentar numa superfície resistente e nivelada. Escolhe um local sem sol direto, radiadores próximos ou produtos pulverizados no ar. Assim, é mais fácil controlar a temperatura e reduzir a entrada de substâncias nocivas na água. Conta desde o início com o tamanho que os peixes terão em adultos.

Instala o filtro, a iluminação e o aquecedor

O filtro retém partículas visíveis e oferece espaço às bactérias que processam resíduos dissolvidos na água. As duas funções ajudam a manter a água adequada para os peixes. O filtro deve funcionar continuamente e ser adequado ao tamanho do aquário, bem como ao número e às espécies de peixes que pretendes manter. As plantas e os esconderijos estáveis devem oferecer abrigo. Dispõe-nos de modo a deixar percursos livres para os peixes nadarem. A decoração não deve ter arestas cortantes nem aberturas onde um peixe possa ficar preso.

A maioria das espécies tropicais precisa de um aquecedor. O termóstato regula automaticamente o aquecimento e deve estar ajustado à temperatura de que esses peixes precisam. Com um termómetro separado, podes confirmar a temperatura real da água. A iluminação deve seguir um ciclo regular de dia e noite, com as luzes apagadas durante a noite. Quando o cascalho ou a areia do fundo, as plantas, o equipamento e a água devidamente tratada estiverem no aquário, podes começar a ciclagem.

O que acontece no filtro durante a ciclagem

Os restos de comida e os dejetos dos peixes libertam amónia. Um grupo de bactérias transforma-a em nitrito e outro transforma o nitrito em nitrato. A amónia e o nitrito são perigosos para os peixes mesmo em pequenas concentrações. O nitrato é menos tóxico a curto prazo, mas também se pode acumular. Mais tarde, as trocas parciais de água ajudam a limitar a sua concentração. Esta sequência de transformações chama-se ciclo do azoto. Os testes à água mostram se está a funcionar. A transparência da água, por si só, não permite sabê-lo.

Durante a ciclagem, o filtro funciona sem peixes. Usa um produto de ciclagem à base de amónia próprio para aquários e segue as instruções do fabricante. Os produtos de limpeza doméstica e as soluções de amónia com aditivos não devem entrar no aquário. Uma cultura de bactérias pode ajudar no arranque. Mede regularmente a amónia, o nitrito e o nitrato. Primeiro sobe a amónia, depois o nitrito. Quando se desenvolvem bactérias suficientes no filtro, ambos os níveis voltam a descer. Logo após uma dose, ainda pode ser detetada amónia. O que importa é confirmar que o filtro processa a quantidade adicionada. Depois de novas doses, volta a testar a água para verificar se a amónia adicionada e o nitrito resultante são totalmente processados. Os testes feitos mais tarde têm de indicar repetidamente zero para ambos. Só então deves planear a introdução dos primeiros peixes. A RSPCA indica que a ciclagem demora pelo menos 2 semanas. São os teus resultados dos testes que mostram se o filtro está realmente pronto.

Os testes revelam o que não se vê na água

Testes fiáveis para amónia, nitrito e nitrato fazem parte do equipamento básico. A amónia e o nitrito não devem ser detetáveis antes da chegada dos peixes. Mais tarde, os testes mostram se os resíduos se estão a acumular ou se o nitrato está a aumentar. Verifica também a temperatura, a dureza e a acidez da água. A dureza depende dos minerais dissolvidos, como o cálcio e o magnésio. O valor de pH indica se a água é ácida ou alcalina. Todos estes valores devem ser adequados às espécies escolhidas. Uma água adequada para um peixe pode não o ser para outro.

Consoante o abastecimento local, a água da torneira pode conter cloro ou cloramina. Estes desinfetantes podem prejudicar os peixes e as bactérias do filtro. Um condicionador de água adequado deve neutralizá-los antes de colocares a água no aquário. Nas trocas de água posteriores, a água nova deve ter uma temperatura próxima da água do aquário. Se o material filtrante ficar entupido, convém enxaguá-lo suavemente em água retirada do aquário. Lavá-lo a fundo debaixo da torneira pode prejudicar grande parte das bactérias úteis.

Introduz os primeiros peixes com calma

Cada peixe novo acrescenta resíduos que o filtro tem de processar. Ao escolheres os primeiros peixes, considera a capacidade do filtro e a necessidade que cada espécie tem de viver com outros peixes da mesma espécie. Depois de cada introdução, testa a água e observa os peixes. Na loja, procura peixes que nadem livremente, sem ferimentos, em aquários limpos. Feridas, barbatanas encostadas ao corpo ou uma respiração invulgar são sinais de alerta.

Evita que os peixes passem muito tempo no saco de transporte. Em casa, apaga a luz do aquário e deixa o saco fechado a flutuar na água até as temperaturas se igualarem. Depois, abre o saco e acrescenta aos poucos pequenas quantidades de água do aquário, ao longo de um período que pode ir até 20 minutos. É este o método descrito pela OATA, associação britânica do setor da aquariofilia. O processo também aproxima as condições da água do saco das do aquário. Espécies sensíveis ou diferenças acentuadas entre os valores da água podem exigir uma adaptação mais lenta. Antes da compra, pede à loja que te explique a aclimatação por gotejamento, um método em que a água do aquário entra lentamente na água de transporte. Em seguida, transfere os peixes com uma rede e deita fora a água de transporte. Nos primeiros dias, observa como comem e nadam e acompanha os valores da água antes de introduzires mais peixes.

Começa desde logo uma rotina simples de cuidados

Uma verificação rápida e diária da temperatura, do funcionamento do filtro, dos peixes e dos restos de comida ajuda-te a detetar problemas cedo. As trocas parciais de água regulares retiram substâncias que o filtro não processa. A quantidade de água a trocar depende do aquário, dos peixes que nele vivem e dos resultados dos teus testes. Também convém verificar o filtro regularmente e limpá-lo com cuidado quando necessário.

Se detetares amónia ou nitrito depois da introdução dos peixes, troca de imediato cerca de metade da água por água tratada com um condicionador adequado e a uma temperatura próxima da do aquário. Faz testes todos os dias e repete a troca de água enquanto qualquer um dos valores estiver acima de zero. Revê também a alimentação e procura aconselhamento especializado se os valores não descerem. A procura invulgar de ar à superfície, a perda de equilíbrio ao nadar ou o afastamento claro de um peixe de cardume do seu grupo são sinais de alerta. Perante estes sinais, um médico veterinário com experiência em peixes deve examinar os animais sem demora.

Perguntas frequentes

Basta deixar o aquário a funcionar durante 2 semanas?

Não. O simples facto de terem passado 2 semanas não prova que o filtro consiga processar os resíduos. Durante a ciclagem sem peixes, adiciona um produto de amónia próprio para aquários segundo as instruções e mede regularmente a amónia e o nitrito. Verifica também se o filtro processa novas doses. Os peixes só devem entrar quando os testes feitos mais tarde confirmarem várias vezes zero para amónia e nitrito.

Porque é que uma água transparente pode ser inadequada para os peixes?

A amónia e o nitrito são invisíveis. Só os testes à água mostram se estão presentes. Por isso, mesmo uma água transparente pode ser inadequada para os peixes.

Fontes e créditos das fotografias

Créditos das fotografias

Fotografia: A freshwater aquarium containing plants and small fish · Netha Hussain · CC0 1.0. Imagem recortada, redimensionada e convertida para WebP.

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