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Répteis · GUIA DE ESPÉCIES DE RÉPTEIS

Cuidados com a cobra-do-milho: espaço, calor e alimentação

As cobras-do-milho deslocam-se pelo chão e trepam por ramos firmes. Uma cobra adulta precisa de espaço para esticar todo o corpo e de esconderijos tanto na zona quente como na zona fresca do terrário.

A cobra-do-milho, Pantherophis guttatus, é geralmente mantida sozinha. Antes da sua chegada, o terrário, o aquecimento e a iluminação devem funcionar de forma fiável. Uma rotina de alimentação e a observação tranquila ajudam-te a acompanhar a sua saúde e a muda da pele, durante a qual se desprende da pele antiga.

Pantherophis guttatus

Cobra-do-milho com um padrão avermelhado, enrolada num ramo
O comprimento conta
O terrário deve ter, no mínimo, comprimento suficiente para a cobra esticar todo o corpo.
Esconderijos nas duas zonas
Um esconderijo na zona quente e outro na zona fresca permitem à cobra manter-se abrigada enquanto escolhe a temperatura.
Presas inteiras
As presas congeladas devem estar completamente descongeladas antes de serem dadas à cobra. Depois de comer, deve ficar em sossego durante pelo menos 48 horas.
Uma cobra por terrário
A cobra-do-milho é geralmente mantida sozinha e não precisa de outra cobra no terrário.

Um terrário comprido e seguro

A RSPCA, uma organização britânica de proteção animal, recomenda um terrário com um comprimento pelo menos igual ao comprimento total do corpo da cobra-do-milho. A largura e a altura devem medir, cada uma, pelo menos um terço desse comprimento. Assim, uma cobra com 150 cm precisa de um terrário com, no mínimo, 150 × 50 × 50 cm. Ao deslocar-se pelo chão e trepar por ramos firmes, a cobra aproveita tanto o comprimento como a altura do terrário.

As cobras conseguem encontrar aberturas surpreendentemente pequenas. As portas e as passagens dos cabos devem ficar bem fechadas, e as grelhas de ventilação bem fixas, sem impedir a circulação do ar. As cobras jovens precisam de muitos esconderijos ajustados ao seu tamanho, mesmo que já vivam num terrário com dimensões adequadas para adultas. Convém deixar o terrário montado e a funcionar durante cerca de uma semana antes da chegada da cobra, para verificar o calor e a luz nas condições habituais da casa.

Criar zonas quentes e frescas

As cobras-do-milho regulam a temperatura do corpo deslocando-se entre zonas quentes e frescas. A RSPCA indica 28 a 30 °C para o local onde a cobra se aquece sob a fonte de calor e 20 a 24 °C para a extremidade fresca. A fonte de calor deve aquecer apenas um dos lados e estar protegida para que a cobra não lhe toque. Um termóstato adequado regula a potência do aquecimento. Para confirmar diariamente as temperaturas, usa 2 termómetros: um no local aquecido, à altura da cobra, e outro na extremidade fresca. Assim, também consegues perceber se o refúgio fresco está a ficar demasiado quente.

A iluminação cria um ciclo de dia e noite reconhecível. A RSPCA recomenda uma lâmpada tubular de baixa intensidade que emita radiação ultravioleta do tipo B (UVB), instalada sobre parte da zona quente, e sombra na extremidade fresca. A radiação UVB ajuda a cobra a produzir vitamina D3, necessária para aproveitar o cálcio. A distância à lâmpada, a malha entre a lâmpada e a cobra e a idade da lâmpada afetam a radiação que chega ao local onde o animal está. Por isso, segue as instruções do fabricante para a instalação e substituição. À noite, as luzes devem estar apagadas. Segundo a RSPCA, a temperatura pode descer para 16 a 20 °C. Se houver risco de descer abaixo dos 16 °C durante a noite, é necessária uma fonte de calor sem luz, controlada por termóstato.

Esconderijos, locais para trepar e substrato

A cobra-do-milho deve conseguir esconder-se por completo tanto na zona quente como na fresca. O esconderijo deve ser suficientemente ajustado para que o corpo enrolado toque nas paredes interiores. Um abrigo grande e aberto oferece menos proteção. Um esconderijo adicional com musgo húmido pode ajudar durante a muda da pele, sem ser preciso molhar o terrário inteiro.

Distribui ramos firmes, esconderijos elevados e plantas ou folhas de modo a criar percursos abrigados entre os locais de descanso, deixando espaço para a cobra se mover livremente. O substrato, o material que cobre o chão do terrário, deve permitir que a cobra se desloque e escave, além de facilitar a remoção das partes sujas. A RSPCA menciona terra orgânica adequada ou misturas de terra e areia próprias para répteis e desaconselha o uso de areia sem mistura. Na extremidade fresca, deve haver água limpa numa taça estável, grande o suficiente para a cobra se colocar dentro dela se quiser.

Planear a alimentação e dar tempo para a digestão

As cobras-do-milho comem presas inteiras. Para cobras mantidas em terrário, a RSPCA recomenda ratos mortos, que podem ser ligeiramente mais largos do que a parte mais larga do corpo da cobra. A frequência das refeições e o tamanho das presas dependem do crescimento e da condição corporal. Pesar a cobra regularmente ajuda a perceber se está demasiado magra ou com excesso de peso e a ajustar a alimentação.

As presas congeladas devem descongelar completamente dentro de um saco fechado colocado em água fria. Depois, podem ser aquecidas ainda dentro do saco, em água morna. Usa um recipiente reservado para esse fim, afastado da preparação de alimentos para pessoas. Não uses o micro-ondas. Oferece a presa com uma pinça de alimentação. Presas vivas podem ferir a cobra e não são necessárias. Depois de uma refeição, evita pegar na cobra durante pelo menos 48 horas, pois a perturbação pode levá-la a regurgitar a presa, ou seja, a devolvê-la pela boca. Após preparar a presa, lava bem as mãos, a pinça e as superfícies utilizadas. Lava também as mãos antes de pegar na cobra, para que o cheiro a comida não desencadeie uma reação de alimentação. Quem cuidar dela na tua ausência precisa de receber estas instruções por escrito.

Pegar na cobra quando há motivo para isso

As cobras-do-milho não precisam de outra cobra no mesmo terrário. Quando cada cobra vive sozinha, é mais fácil acompanhar o apetite, as mudas da pele e as fezes. Se precisares de a examinar ou transportar, apoia-lhe o corpo com as 2 mãos. Evita agarrá-la pela cabeça ou pela cauda. Mantém os outros animais de estimação separados da cobra.

Se, ao aproximares-te, a cobra-do-milho recuar a cabeça e o pescoço até formarem um S, pode sentir-se ameaçada e tentar morder. Retira a mão com calma e não pegues nela nessa altura. Durante a muda da pele, convém evitar pegar-lhe sem necessidade, pois pode reagir de forma defensiva. Passar muito tempo fora do terrário aquecido pode fazê-la arrefecer. Após a chegada, dá-lhe tempo para explorar o novo espaço em sossego. Ao observá-la através do vidro, podes ver que esconderijos usa, se se move sem dificuldade e se alcança a taça da água. Essas observações também ajudam a identificar um ramo ou esconderijo que esteja a dificultar-lhe a passagem.

Observar a muda da pele e os sinais de problemas de saúde

Durante a muda, a cobra renova a camada exterior da pele à medida que cresce e substitui a pele gasta. Uma cobra-do-milho saudável costuma largar a pele antiga numa só peça. Antes disso, pode esconder-se mais e os olhos podem parecer temporariamente turvos. Com a pele antiga devem sair também as cápsulas oculares, as camadas transparentes de pele antiga que cobrem os olhos. Ao examinares a pele largada, podes verificar se saíram as 2. Se alguma ficar sobre um olho, contacta o quanto antes um veterinário com experiência em répteis. A pele que continue presa ao corpo ou à ponta da cauda também precisa de avaliação veterinária rápida. Tentar retirá-la por tua conta pode ferir o olho ou a pele nova por baixo.

Dificuldade em respirar ou respiração de boca aberta exigem avaliação veterinária imediata. Mudas da pele com problemas repetidos, bolhas na pele, ruídos ao respirar, fezes invulgares, perda de peso ou pequenos pontos pretos na pele e junto da taça da água também devem ser avaliados rapidamente por um veterinário com experiência em répteis. Um higrómetro, aparelho que mede a humidade do ar, ajuda-te a verificar a humidade no terrário. A RSPCA recomenda cerca de 40 a 50 %, além de um esconderijo húmido. Lava bem as mãos depois de limpares o terrário ou de pegares na cobra, pois os répteis podem transportar Salmonella.

Perguntas frequentes

Uma cobra-do-milho pode viver com outra?

Para os cuidados habituais em casa, a RSPCA recomenda que cada cobra viva no seu próprio terrário. Isso reduz os conflitos e facilita a deteção de alterações em cada animal.

Porque deves esperar antes de pegar na cobra depois de ela comer?

O movimento e o stress podem levá-la a regurgitar a presa. A RSPCA recomenda esperar pelo menos 48 horas após a refeição.

Fontes e créditos das fotografias

Créditos das fotografias

Fotografia: Corn Snake · SloanePhoenix · CC BY 4.0. Imagem recortada, redimensionada e convertida para WebP.

Fotografia: Cornsnake (Pantherophis guttatus) - Flickr - 2ndPeter.jpg · Peter Paplanus · CC BY 2.0. Imagem redimensionada e convertida para WebP. A cena não foi alterada.

Fotografia: Kornnatter (Pantherophis guttatus), Seitenansicht.jpg · Peter Paplanus · CC BY 2.0. Imagem redimensionada e convertida para WebP. A cena não foi alterada.

Fotografia: Pantherophis guttatus Head.jpg · Linda Tanner · CC BY 2.0. Imagem redimensionada e convertida para WebP. A cena não foi alterada.

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