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Gatos · Comportamento e treino

Treinar o gato no dia a dia: transportadora, cuidados e confiança

Uma transportadora aberta está na sala. O teu gato fareja a entrada, põe uma pata lá dentro e encontra um pedacinho de comida sobre uma manta que conhece. Este pequeno momento pode ser o primeiro passo para idas ao veterinário mais tranquilas. Os gatos aprendem com experiências assim, mesmo quando ninguém lhes chama treino.

Exercícios planeados podem facilitar a convivência e os cuidados diários. O gato deve poder explorar a situação por sua iniciativa e aprender, através de uma recompensa de que gosta, que ação a merece. Tanto os gatos jovens e curiosos como os adultos com pouca experiência de treino podem começar assim.

Gato a tocar numa mão estendida com a pata levantada
Motivação
A recompensa deve agradar ao teu gato. Nem todos querem receber carícias como recompensa.
Pequenos passos
Podes começar por recompensar o gato por explorar a transportadora ou aceitar um toque breve e suave. Fechar a porta ou escová-lo durante mais tempo vem depois.
Linguagem corporal
Se o gato se virar ou se afastar, dá-lhe espaço. Se de repente rejeitar um toque que antes aceitava, isso também pode indicar dor.

Ajudar o gato a perceber o que lhe pedes

Um gato pode aprender que uma determinada ação traz algo agradável. A recompensa deve vir logo a seguir a essa ação: por exemplo, quando pisa um tapete, e não apenas quando se afasta dele. Uma palavra curta, sempre a mesma, ou um clique suave pode assinalar esse instante. No início, a palavra ou o som deve ser sempre seguido da recompensa escolhida. Assim, o gato aprende que esse sinal anuncia uma recompensa.

Um pedacinho de comida costuma ser prático, mas nem todos os gatos se interessam por comida em todas as situações. Alguns preferem uma breve brincadeira. As carícias só servem como recompensa quando o gato procura o contacto nesse momento. Se usares comida, oferece pedaços muito pequenos e conta-os na quantidade diária de alimento. Não é adequado deixar o gato com fome para o motivar a treinar.

Dar à transportadora um lugar no dia a dia

Quando a transportadora só aparece pouco antes de uma ida ao veterinário, a sua presença pode logo inquietar o gato. Deixá-la num lugar fixo numa divisão onde costuma estar dá-lhe tempo para a explorar sem pressa. Deve ficar estável e aberta. Uma manta com um cheiro familiar pode tornar o interior mais agradável. No início, podes colocar uma recompensa junto à entrada e, depois, um pouco mais para dentro.

Quando o gato já entra à vontade, podes praticar os passos seguintes um de cada vez: mexer brevemente na porta, fechá-la por um instante, voltar a abri-la e, mais tarde, levantar a transportadora com cuidado. Avança apenas quando ele continuar tranquilo e o passo anterior já lhe for familiar. Se a consulta estiver próxima e entrar na transportadora lhe causar regularmente muito medo, pede ajuda à clínica veterinária para planear uma forma adequada de o transportar.

Começar a escovagem com um toque agradável

Antes da escovagem, o gato pode cheirar a escova. Depois, podes tocar-lhe muito brevemente, com suavidade, numa zona onde costuma gostar de ser tocado, e recompensá-lo. Quando aceitar bem esse toque, podes passar a dar algumas escovadelas. Um local de fácil acesso, com uma superfície antiderrapante, facilita o exercício. O gato não deve ser imobilizado para cumprir um número de escovadelas.

Nos gatos de pelo denso ou comprido, é especialmente útil começar cedo e praticar com regularidade. Os nós que puxam a pele e as zonas de pelo emaranhado podem doer. Por isso, não são um bom ponto de partida para habituar o gato à escovagem. Se o gato passar de repente a rejeitar um toque que antes aceitava ou se limpar muito menos do que é habitual, a causa deve ser avaliada por um veterinário.

Deixar o gato conhecer a balança com calma

Para pesares o gato regularmente, pode ser útil uma balança para animais com uma plataforma larga, estável e antiderrapante. Primeiro, podes recompensá-lo por explorar a balança, depois por pousar uma pata nela e, por fim, por subir com as 4 patas. No início, basta que fique em segurança sobre a balança por um instante. Ficar parado o tempo suficiente para leres o peso pode ser treinado mais tarde.

Uma vareta de treino tem uma ponta que o gato aprende a tocar com o nariz. Podes usá-la para o orientar até um tapete ou uma balança. Primeiro, cada toque voluntário na ponta deve ser recompensado de imediato. Depois, podes deslocar a vareta aos poucos na direção da balança, mantendo a ponta ao alcance do gato para que ele a siga sem se esticar. Assim, pode subir sozinho para a balança em vez de ser levantado a cada pesagem.

Oferecer uma alternativa adequada aos hábitos do gato

Arranhar faz parte do comportamento normal dos gatos. Se o teu gato arranha o sofá, uma superfície de arranhar atraente ao lado pode ser uma alternativa. Deve ser estável, fácil de alcançar e adequada à preferência do gato por arranhar na horizontal ou na vertical. Quando a usar, um pedacinho de comida oferecido de imediato ou uma breve brincadeira contigo pode reforçar esse comportamento. Um arranhador escondido numa divisão que o gato raramente visita pode ajudar pouco.

Também vale a pena perceber o motivo de outros hábitos. Se o gato sobe para a bancada da cozinha porque gosta de acompanhar o que se passa, um local elevado adequado, de onde possa observar a atividade, pode dar-lhe outra opção. Gritar com ele ou borrifá-lo com água não lhe mostra onde se pode sentar em vez disso e pode assustá-lo. Se o gato urinar ou defecar fora da caixa de areia, uma possível causa de saúde deve ser investigada primeiro.

Deixar que a reação do gato oriente o passo seguinte

Um bom momento para praticar surge muitas vezes quando o gato se aproxima atento e interessado. Algumas repetições agradáveis encaixam-se melhor no dia a dia do que uma sessão longa. Se, na vez seguinte, voltar a aproximar-se com curiosidade, tens um sinal útil de que está à vontade. Se mantiver a distância, o passo anterior pode ter sido demasiado rápido ou o ambiente pode não ser adequado nesse momento.

Se o gato se virar, se afastar ou recuar, respeita essa escolha e dá-lhe espaço. O corpo muito tenso, as orelhas coladas à cabeça ou os movimentos vigorosos da cauda também podem mostrar que o toque lhe é desagradável. Nessa altura, deixa-o descansar. Uma nota breve sobre o passo que correu bem ajuda outras pessoas que cuidam do gato a continuar a partir daí: por exemplo, já entra na transportadora por vontade própria, mas ainda se está a habituar à porta fechada.

Perguntas frequentes

Ainda posso começar a treinar um gato mais velho?

Sim. Os exercícios devem adequar-se à sua mobilidade, audição, visão e estado de saúde. Por exemplo, uma balança baixa e de fácil acesso pode ser mais útil do que um local de treino elevado.

E se o meu gato não aceitar petiscos?

Pode estar saciado, não gostar daquela comida ou sentir-se pouco à vontade no local. Um sítio mais tranquilo ou outra altura pode ajudar. Se também recusar a refeição habitual, isso deve ser avaliado por um veterinário como possível problema de saúde, em vez de ser tratado como uma dificuldade de treino.

Fontes e créditos das fotografias

Créditos das fotografias

Fotografia: Sally high five (Unsplash).jpg · Jonas Vincent · CC0. Imagem redimensionada proporcionalmente e guardada no formato WebP. O enquadramento completo foi preservado.

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