A vida em grupo dos periquitos-australianos
Os periquitos-australianos comunicam constantemente entre si. Mantêm o contacto com chamamentos, procuram a companhia de determinadas aves e passam tempo a limpar as penas uns dos outros. Um par que já se dá bem, ou um grupo habituado a viver junto, deve permanecer unido quando muda de casa. Um espelho não substitui estas relações.
Antes de se juntarem às aves que já vivem em casa, os recém-chegados devem ser observados por um veterinário com experiência em aves. A clínica pode indicar que exames e que período de alojamento separado são adequados. Depois, podes planear uma aproximação gradual. Vários pontos de alimentação e percursos livres para as aves se afastarem umas das outras facilitam os primeiros encontros. A companhia de outras aves continua a ser importante mesmo para um periquito manso que gosta de subir para a mão.
O viveiro como ponto de partida
O Deutscher Tierschutzbund recomenda, para 2 a 6 periquitos-australianos, um viveiro com pelo menos 2 m de comprimento, 1 m de largura e 2 m de altura, além da possibilidade de voarem fora dele todos os dias. Ao planear o espaço, procura deixar um percurso de voo longo e desimpedido. Um viveiro estreito e alto, cheio de poleiros, oferece pouco espaço para esse movimento.
Ramos naturais de diferentes diâmetros permitem que as aves variem a posição das patas. Coloca-os de modo a que os excrementos não caiam repetidamente na comida e na água. Alguns lugares acessíveis para pousar fora do viveiro ajudam as aves a usar a divisão. Podes, por exemplo, fixar bem um ramo para trepar perto do viveiro e preparar outro lugar no lado oposto, deixando espaço livre entre ambos.
Um local luminoso e sossegado, fora da cozinha, é uma boa escolha. As aves devem conseguir observar a divisão e dispor de uma zona mais resguardada. À noite, o grupo precisa de um período de sono tranquilo e regular, sem interrupções frequentes causadas pela luz ou pela televisão.
Preparar a divisão antes de abrir o viveiro
Antes de abrires o viveiro, prepara a divisão. Mantém as janelas e as portas para o exterior fechadas ou protegidas por uma estrutura que impeça realmente a passagem das aves. Ao início, cobre de forma visível os grandes vidros e os espelhos para que não pareçam percursos de voo livres. As ventoinhas têm de estar paradas. Jarras abertas com água, sanitas e outros recipientes fundos com água devem ficar inacessíveis.
Durante o voo, os gatos e os cães devem estar noutra divisão. Mesmo um gato ou cão da casa pode ferir uma ave com uma patada ou uma mordidela rápida. Todos em casa devem saber quando os periquitos estão soltos. Um aviso bem visível na porta também ajuda as visitas ou quem toma conta das aves a ter cuidado ao entrar.
A cozinha não é adequada para alojar aves. Quando sobreaquecidos, os revestimentos antiaderentes podem libertar vapores invisíveis que matam rapidamente as aves. Evita também que fumo ou produtos em spray entrem no ar da divisão onde estão.
Olhar para além de uma tigela que parece cheia
Os periquitos-australianos podem escolher as sementes preferidas de uma mistura e acabar por ingerir quantidades insuficientes de nutrientes importantes. Os pellets próprios para periquitos, pequenos pedaços de alimento em que os ingredientes são processados em conjunto, podem ajudar a equilibrar a alimentação. Com legumes lavados e uma porção adequada de sementes, permitem organizar melhor as refeições. Uma clínica veterinária com experiência em aves pode ajustar as quantidades ao peso, à atividade e à alimentação anterior de cada ave.
A mudança de alimentação exige paciência. Não retires de repente a comida habitual para obrigar as aves a comer uma variedade nova. É essencial confirmar que comem realmente o novo alimento e mantêm o peso. As cascas vazias das sementes podem fazer parecer que ainda há comida na tigela. Verifica todos os dias quanto alimento comestível resta antes de a limpares e voltares a encher.
Água fresca e tigelas limpas fazem parte dos cuidados diários. Podes oferecer cenoura ralada finamente ou pequenos pedaços de pimento lavado nos locais onde as aves costumam comer. Retira os restos húmidos antes que se estraguem. Um registo simples dos alimentos que o grupo aceita pode ajudar outra pessoa a manter a mesma rotina de alimentação.
Dar espaço à curiosidade e ganhar confiança
Um ramo para roer, um pouco de alimento adequado colocado num sítio novo ou um recipiente raso para o banho podem tornar o dia mais interessante. Ao início, coloca os objetos novos a alguma distância das aves. Assim, podem observá-los e aproximar-se por iniciativa própria. Um ramo junto de um lugar conhecido onde pousam pode ser mais fácil de explorar do que outro colocado de repente na zona onde preferem dormir.
Uma pequena recompensa de comida pode ajudar no contacto contigo. Mantém a mão quieta e deixa que a ave decida se quer aproximar-se. Aprender a subir voluntariamente para um ramo ou dedo oferecido também facilita deslocações necessárias mais tarde. Os periquitos não precisam de viver sozinhos para se habituarem às pessoas.
Ler mais: Treinar aves: confiança, transporte e cuidados veterinários
Observar cada ave com atenção
A hora da alimentação permite verificar se todas as aves participam, voam e interagem como habitualmente. Se uma ave mantiver as penas eriçadas durante muito tempo, comer menos, apresentar alterações nas fezes ou se isolar, deve ser observada por um veterinário com experiência em aves. Se tiver dificuldade em respirar, por exemplo, se a respiração for visivelmente esforçada ou se respirar de bico aberto em repouso, contacta imediatamente uma clínica veterinária com experiência em aves ou um serviço de urgência veterinária.
Convém ter já disponível uma caixa de transporte e o contacto de uma clínica veterinária com experiência em aves. Se outra pessoa tomar conta do grupo, os nomes ou fotografias nítidas ajudam-na a identificar a ave a que se refere cada observação. Uma nota breve como «Hoje, o Lio ficou sozinho no poleiro de cima durante a alimentação» dá mais informação numa conversa posterior com o veterinário do que dizer apenas que o grupo parecia mais calado.
Nos periquitos-australianos mais velhos, observa com especial atenção como pousam e passam de um ramo para outro. Se uma ave evitar um lugar habitual ou perder frequentemente o apoio num poleiro, deve ser avaliada por um veterinário com experiência em aves. Depois dessa avaliação, ramos e tigelas adicionais de acesso fácil podem simplificar os seus percursos. A companhia das aves conhecidas e a possibilidade de continuar a movimentar-se também são importantes.
Perguntas frequentes
Dois periquitos-australianos mansos também precisam de voar todos os dias?
Sim. Estarem habituados às pessoas não altera a necessidade de se movimentarem. Devem ter acesso diário a um espaço seguro onde possam voar, quer subam para a tua mão quer não.
Posso alojar periquitos-australianos com caturras?
O Deutscher Tierschutzbund recomenda que os periquitos-australianos vivam com aves da mesma espécie. Outras espécies têm necessidades diferentes de alojamento e alimentação, e as aves maiores podem feri-los. Se também quiseres ter caturras, prevê viveiros separados. Um veterinário com experiência em aves pode ajudar-te a avaliar se é possível deixá-las voar na mesma divisão, tendo em conta as aves e o espaço disponível.
Um olhar mais atento
Fontes e créditos das fotografias
- Wellensittiche als HeimtiereDeutscher TierschutzbundA vida em grupo dos periquitos-australianos · O viveiro como ponto de partida · Dar espaço à curiosidade e ganhar confiança
- Wellensittiche: HaltungZürcher TierschutzA vida em grupo dos periquitos-australianos · O viveiro como ponto de partida · Olhar para além de uma tigela que parece cheia · Dar espaço à curiosidade e ganhar confiança
- Feeding budgiesVCA Animal HospitalsOlhar para além de uma tigela que parece cheia
- Creating a good home for pet birdsRSPCAO viveiro como ponto de partida
- Household hazards for pet birdsMerck Veterinary ManualPreparar a divisão antes de abrir o viveiro
- Disorders affecting multiple body systems of pet birdsMerck Veterinary ManualPreparar a divisão antes de abrir o viveiro
- Illness in pet birdsMerck Veterinary ManualObservar cada ave com atenção
- Geriatric diseases of pet birdsMerck Veterinary ManualObservar cada ave com atenção
Créditos das fotografias
Fotografia: A blue budgie bird sits on a branch · paws and prints · Unsplash License. Fotografia da Fellfolio já verificada, guardada em WebP. A disposição na página pode cortar parte da imagem.
Fotografia: Melopsittacus undulatus - male pet preening.jpg · Kirk; derivative by Commons Shaped Box · CC BY-SA 3.0. Imagem redimensionada proporcionalmente e convertida para o formato WebP. A disposição na página pode recortar a imagem.
Fotografia: Melopsittacus undulatus -pet perching on finger-8a.jpg · Noshin R from 405 · CC BY 2.0. Imagem redimensionada proporcionalmente e convertida para o formato WebP. A disposição na página pode recortar a imagem.
Fotografia: Pet Budgerigars.jpg · 陈霆 · CC BY-SA 2.0. Imagem redimensionada proporcionalmente e convertida para o formato WebP. A disposição na página pode recortar a imagem.





