Que cobra de jarreteira vais acolher?
São características as riscas claras ao longo de um corpo mais escuro, muitas vezes acompanhadas de manchas. Consoante a origem, pode apresentar tons castanhos discretos ou marcas vermelhas ou azuis muito vivas. A cor, por si só, não identifica com segurança a espécie ou a subespécie. Os documentos de origem devem indicar Thamnophis sirtalis e, quando conhecidas, a subespécie e a linha de criação.
Os adultos podem atingir cerca de um metro, e as fêmeas maiores ultrapassar bastante esse comprimento. Os machos costumam ficar mais pequenos. Se escolheres uma cria nascida em cativeiro, pergunta pelo tamanho dos progenitores para planeares o alojamento definitivo. Uma cobra pequena numa caixa de venda dá pouca ideia do espaço que ocupará quando for adulta.
O que podes descobrir ao observá-la
Sempre que projeta a língua, recolhe pequenas partículas de cheiro. A língua leva-as a um órgão sensorial no céu da boca, ajudando a cobra a examinar o alimento e o ambiente. Este movimento faz, por isso, parte da exploração. Muitas cobras de jarreteira podem ser observadas de dia, embora Thamnophis sirtalis também possa estar ativa à noite.
Deslocar-se entre um local de repouso, um esconderijo e a água faz parte do seu comportamento. As plantas e os pedaços de cortiça devem criar percursos abrigados sem ocupar todo o espaço livre. Se precisares de a levantar para uma observação, apoia o corpo com as duas mãos e move-te com calma. Não é necessário manuseá-la frequentemente para a observar. Uma cobra que se sente ameaçada pode fugir, morder ou libertar uma secreção defensiva de cheiro intenso.
Planear o terrário para o tamanho adulto
Um terrário de 120 × 60 × 60 cm é um exemplo prático para planeares o alojamento de um adulto com até cerca de 120 cm. O comprimento interior realmente utilizável deve ser, pelo menos, igual ao da cobra. Um animal mais comprido precisa de um terrário mais comprido para se poder esticar em linha reta. Uma maior profundidade facilita a instalação do recipiente de água, de percursos para explorar e de vários abrigos.
Ramos baixos bem presos e pedaços largos de cortiça oferecem locais para trepar. Convém ter um abrigo na zona quente e outro na zona mais fresca. Assim, a cobra pode mudar de temperatura sem deixar de estar protegida. As pedras pesadas devem ficar estáveis mesmo que o animal se mova por baixo.
Verifica sobretudo as folgas das portas de correr, as passagens de cabos e as grelhas de ventilação. As crias conseguem passar por aberturas surpreendentemente pequenas. O terrário deve fechar de forma segura e manter uma boa ventilação. Evita um local com sol direto através da janela, pois a temperatura interior pode subir de forma descontrolada.
Compreender o calor e os UVB
As cobras não produzem calor suficiente para manter a temperatura corporal independentemente do ambiente. Aquecem-se em locais adequados e deslocam-se quando precisam de arrefecer. Na época ativa do ano, podes preparar uma superfície de repouso a cerca de 30 °C e uma zona mais fresca com o ar entre 22 e 24 °C. Cerca de 22 °C durante a noite é um ponto de partida prudente. Os ajustes devem ter em conta a subespécie conhecida, a origem e as condições anteriores. Um eventual repouso de inverno exige preparação própria.
Um termóstato regula a fonte de calor. Termómetros independentes permitem verificar as temperaturas realmente alcançadas. Uma sonda mede a temperatura no ponto onde se encontra, enquanto um termómetro de infravermelhos mede a superfície para a qual o apontas. Verifica o local quente e o abrigo fresco depois de o equipamento atingir a temperatura habitual de funcionamento. Também são úteis medições à noite e nos dias de muito calor. A cobra não deve conseguir tocar em lâmpadas quentes ou elementos de aquecimento sem proteção.
Os UVB fazem parte da radiação ultravioleta do sol. Ajudam na produção de vitamina D3, de que o organismo precisa para utilizar o cálcio. O cálcio é importante, entre outras funções, para ossos e músculos. Como orientação para a iluminação, podes prever um índice UV próximo de 1 no local acessível onde a cobra se aquece, com abrigos totalmente à sombra. As formas albinas precisam de menor exposição, no máximo 0,7 no local de aquecimento e zero à sombra. O índice UV descreve a intensidade da radiação ultravioleta no ponto de medição. A percentagem impressa na lâmpada não indica quanta radiação chega à cobra. A distância, as redes e os ramos alteram essa exposição. Escolhe e coloca a lâmpada de acordo com o terrário real, verificando se possível o resultado com um medidor UV adequado. Um temporizador pode assegurar doze horas de luz durante o dia. À noite, todas as luzes devem estar apagadas para manter um ciclo regular de luz e escuridão.
Ler mais: Calor e radiação ultravioleta do tipo B (UVB): como preparar o terrário
Água para o banho e zonas secas para descansar
O recipiente de água deve ser estável, suficientemente amplo para a cobra caber confortavelmente e permitir uma entrada e saída fáceis. A água serve para beber e tomar banho, mas o animal também pode defecar nela. Renova-a todos os dias e limpa o recipiente assim que estiver sujo. Em redor devem permanecer superfícies secas.
Uma humidade relativa de cerca de 50 a 60 % é uma referência habitual durante a época ativa. É a quantidade de humidade no ar em comparação com a que poderia conter àquela temperatura. Mede-se com um higrómetro. Um abrigo com musgo ligeiramente húmido oferece uma zona mais húmida num espaço pequeno. Não é preciso manter todo o chão molhado para o conseguir.
A muda substitui a camada exterior da pele, permitindo o crescimento e renovando a superfície desgastada. Antes da muda, as cores podem parecer baças e os olhos temporariamente turvos. Depois, examina a pele abandonada, sobretudo as partes que cobriam os olhos e a ponta da cauda. Se ficarem restos presos nesses locais, pede ajuda a um veterinário de répteis. Puxar a pele retida ou as coberturas dos olhos pode ferir a cobra.
Ler mais: Humidade e muda da pele nos répteis
Adaptar as refeições à tua cobra
Antes da compra, faz uma pergunta concreta: o que comeu realmente este animal nas últimas refeições? Algumas cobras aceitam ratinhos descongelados, outras preferem peixes ou minhocas. Pergunta pela espécie das presas, tamanho, quantidade e intervalo entre refeições. Uma cobra que come regularmente deve começar por receber o alimento a que está habituada depois de chegar a casa.
As presas inteiras adequadas fornecem ossos e órgãos além de músculo. Filetes de peixe ou pedaços de carne não têm a mesma composição nutricional. Presas já mortas e totalmente descongeladas evitam os ferimentos que os roedores vivos podem causar. Obtém o alimento de um fornecedor adequado. Para um adulto habituado a ratinhos, cerca de uma refeição por semana é uma orientação comum. Os adultos que comem sobretudo minhocas costumam receber porções menores com maior frequência, por exemplo duas vezes por semana. As crias precisam de um plano ajustado ao crescimento. A condição corporal e a evolução do peso ajudam a avaliar as quantidades.
Com os peixes, a espécie exata importa. Alguns contêm tiaminase, uma enzima que decompõe a vitamina B1. Uma enzima é uma substância que permite ou acelera uma reação química específica. Se daí resultar falta de vitamina B1, podem surgir problemas graves no sistema nervoso. Por isso, peixes baratos vendidos como alimento não são necessariamente adequados. Fala com um veterinário de répteis sobre uma dieta rica em peixe e eventuais suplementos. A congelação não elimina este risco nutricional de forma fiável.
Ler mais: Alimentar répteis: escolher alimentos adequados à espécie
Uma cobra ou um grupo?
A vida social das cobras de jarreteira é mais complexa do que muitas vezes se imagina. Num estudo, jovens Thamnophis sirtalis sirtalis procuravam ativamente determinados companheiros. Esta observação não permite saber quais os adultos que viverão bem juntos num terrário. As recomendações sobre manter grupos variam, por isso, entre guias de cuidados.
Para quem está a começar, uma única cobra facilita o acompanhamento das refeições e da saúde. Antes de formar um grupo, conversa com alguém experiente nesta espécie. São necessários mais espaço, vários abrigos igualmente adequados e a possibilidade de separar os animais a qualquer momento. Devem comer separadamente para evitar que duas cobras agarrem a mesma presa. Não convém juntar outras espécies de serpentes por parecerem companheiras apropriadas.
Uma origem documentada de criação em cativeiro facilita conhecer a proveniência e os cuidados anteriores. Um recém-chegado deve ficar inicialmente separado dos répteis que já vivem em casa. Um veterinário de répteis pode planear uma primeira consulta e a quarentena. A quarentena consiste em cuidar do novo animal à parte durante algum tempo para detetar possíveis doenças ou parasitas antes de expor os restantes animais.
Perceber cedo as mudanças
Uma verificação diária da água, dos instrumentos e da cobra faz parte dos cuidados. Retira rapidamente restos de alimento e fezes. Anotar refeições, mudas e pesagens ocasionais ajuda a reconhecer alterações ao longo de várias semanas. Observações isoladas ganham assim contexto, como menos apetite acompanhado de perda de peso.
Perda de peso, regurgitação repetida, feridas ou respiração invulgar devem ser avaliadas por um veterinário. Movimentos descoordenados ou convulsões justificam contactar imediatamente uma clínica de répteis. Podem ocorrer com falta de vitamina B1, mas existem outras causas possíveis. Dar vitaminas por tentativa não substitui uma consulta. Lava as mãos com sabão depois da limpeza e após tocar no animal ou nos elementos do terrário.
Pensar para além das primeiras semanas
As despesas regulares incluem alimento, eletricidade, produtos de limpeza e uma reserva para cuidados veterinários. Quem cuidar da cobra nas tuas férias deve saber onde ler as temperaturas, como limpar o recipiente de água e que alimento oferecer, nas quantidades certas. O planeador de preparação ajuda a organizar o equipamento, enquanto a calculadora de consumo elétrico ajuda a estimar os custos de funcionamento.
Em algumas zonas da sua distribuição natural, estas cobras passam o inverno em repouso. A atividade e o metabolismo abrandam quando a temperatura desce. A necessidade e a forma de preparar esse repouso dependem, entre outros fatores, da origem, idade e saúde. Desligar simplesmente o aquecimento durante várias semanas não é uma maneira adequada de o organizar. Um cuidador experiente e um veterinário de répteis podem ajudar-te a preparar um plano anual apropriado.
Ler mais: Repouso de inverno nos répteis: espécies, preparação e acompanhamento
Perguntas frequentes
Todas as cobras de jarreteira são Thamnophis sirtalis?
Não. Pertencem ao género Thamnophis, que inclui várias espécies. Thamnophis sirtalis é uma delas, conhecida como cobra de jarreteira comum. O nome científico nos documentos de origem ajuda a preparar os cuidados para o animal que vais realmente acolher.
Preciso de dar ratinhos ou peixes vivos?
Não são necessárias presas vertebradas vivas. Podem ser utilizadas presas adequadas já mortas e totalmente descongeladas, se a cobra as aceitar. É importante conhecer o alimento a que está habituada. Nem todas passam facilmente a comer ratinhos.
Uma cobra de jarreteira precisa sempre de companhia?
Há indícios de preferências sociais, sobretudo em estudos com animais jovens. Isso não estabelece uma necessidade universal de viver em grupo. Os animais devem ser compatíveis, comer separadamente e poder ficar em alojamentos distintos imediatamente se houver problemas. Começar com uma só cobra facilita o acompanhamento.
Porque fica a pele pálida antes da muda?
A camada exterior antiga separa-se da nova pele que está por baixo. Durante esse processo, as cores e os olhos podem parecer temporariamente turvos. A cobra deve ter acesso à água e a um abrigo húmido sem ser incomodada. Se ficarem pedaços de pele bem presos depois da muda, pede aconselhamento veterinário.
Um olhar mais atento
Fontes e créditos das fotografias
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- How much UVB does my reptile need? The UV-ToolBaines and colleagues, Journal of Zoo and Aquarium ResearchCompreender o calor e os UVB · Pensar para além das primeiras semanas
- Garter Snake CareChicago Exotics Animal Hospital, Erica Mede CVTPlanear o terrário para o tamanho adulto · Compreender o calor e os UVB · Adaptar as refeições à tua cobra · Uma cobra ou um grupo?
- Nutritional, Metabolic, and Endocrine Diseases of ReptilesMSD Veterinary ManualAdaptar as refeições à tua cobra · Perceber cedo as mudanças
- Nutrition in SnakesMSD Veterinary ManualAdaptar as refeições à tua cobra
Créditos das fotografias
Fotografia: Common Garter Snake · Jessica Bolser/USFWS · Public Domain Mark 1.0.
Fotografia: Garter Snake · Courtney Celley/USFWS · Public Domain Mark 1.0.
Fotografia: Common Garter Snake (Thamnophis sirtalis) · Greg Schechter · CC BY 2.0.
Fotografia: Common Garter Snake (Thamnophis sirtalis) · Greg Schechter · CC BY 2.0.






