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Aves · Conhecer as pequenas rolas

Rolas-diamante: companhia, espaço para voar e cuidados diários

Uma rola-diamante atravessa o chão a passos rápidos, apanha uma semente e, logo depois, voa para junto da sua companheira num ramo. As pintas brancas nas asas e o anel colorido à volta dos olhos distinguem estas aves australianas. É frequente descansarem juntas, responderem aos chamamentos uma da outra e procurarem comida no chão.

Ao observá-las com regularidade, começas a conhecer os hábitos de cada ave. Para viverem em casa, precisam de companhia compatível e de um alojamento espaçoso. O tamanho pequeno pode enganar: é importante prever tanto um percurso livre para voar como uma área de chão que possam explorar.

Geopelia cuneata

Rola-diamante a beber numa poça pouco funda sobre terra vermelha.
Viver em companhia
Um par que já se dá bem facilita o início. Manter um grupo exige mais espaço e experiência na escolha de companheiros.
Voar e andar no chão
Um viveiro espaçoso ou uma divisão preparada para aves deve ter percursos livres para voar, locais de descanso e áreas de chão limpas.
Planear a longo prazo
As rolas-diamante podem viver dez anos ou mais sob cuidados humanos. A disponibilidade para cuidar delas e as despesas veterinárias devem ser pensadas para muitos anos.

Como é uma rola-diamante

A rola-diamante, de nome científico Geopelia cuneata, pertence à família dos pombos e das rolas. A BirdLife Australia indica um comprimento total de 19 a 24 centímetros, incluindo a cauda comprida. Na coloração natural, a cabeça e o peito são cinzentos com um tom azulado, enquanto as asas são castanhas com um tom acinzentado e pequenas pintas brancas. Nas aves jovens, as marcas são menos definidas e o anel à volta dos olhos é mais pálido.

Na Austrália, a espécie vive sobretudo em paisagens secas e abertas, perto de locais onde encontra água. Procura pequenas sementes de gramíneas no chão. Os seus arrulhos suaves e repetidos podem ouvir-se com frequência em casa e, na época de reprodução, por vezes também à noite. Antes de decidir, uma visita a alguém que tenha estas aves ou a uma associação de acolhimento permite perceber como os sons se ouvem dentro de uma divisão.

Escolher uma companhia com que ambas se sintam bem

Para começar, um par que já convive bem é uma boa escolha. Um centro de acolhimento ou uma associação com experiência pode conhecer as aves e saber quais se dão bem. Juntar dois machos sem avaliar a situação pode provocar rivalidade. Num grupo maior, os machos também podem disputar parceiras e espaço.

Ao observar as rolas, importa prestar atenção às duas. Conseguem comer sem interrupções, descansar e afastar-se uma da outra quando precisam? Vários comedouros e poleiros separados ajudam a evitar conflitos. Se uma ave for constantemente perseguida ou impedida de comer, as duas devem ficar temporariamente separadas em segurança. Alguém com experiência pode então ajudar a avaliar a compatibilidade e a disposição do alojamento para perceber a origem dos conflitos.

Um viveiro com várias espécies exige mais preparação. Outras aves têm necessidades alimentares próprias e podem intimidar as pequenas rolas. Para quem começa, é mais fácil acompanhar um par de rolas-diamante num alojamento adequado só para elas do que gerir um grupo de espécies diferentes.

Espaço para voar, chão livre e um ambiente seguro

As rolas-diamante deslocam-se de ramo em ramo a voar. Não trepam pelas grades como os papagaios. Por isso, uma gaiola alta e estreita aproveita mal o espaço de que precisam. Uma opção adequada é um viveiro interior espaçoso, isto é, um recinto grande onde possam realmente voar, ou uma divisão preparada para aves. Entre os locais onde pousam deve haver espaço para várias batidas de asas, sem ramos e recipientes a bloquear o percurso.

No chão deve ficar uma área livre suficiente para andar e procurar comida. Comedouros baixos e de fácil acesso permitem verificar a comida e fazer a limpeza. Ramos naturais de diferentes espessuras oferecem várias superfícies para pousar. Os recipientes de comida e água devem ficar afastados da zona por baixo dos poleiros mais usados, para que as fezes não caiam lá dentro.

Um viveiro exterior precisa de um abrigo interior adequado, com espaço suficiente para as aves também nos dias de mau tempo. O projeto deve incluir sombra, proteção da chuva e uma entrada com duas portas. O pequeno espaço entre elas funciona como uma antecâmara de segurança: fecha-se a porta exterior antes de abrir a interior. Assim, permanece sempre uma porta fechada entre as aves e o exterior. Uma rola habituada a uma casa aquecida não deve passar de repente para um alojamento exterior frio.

Numa divisão para aves, as janelas e as portas para o exterior devem estar fechadas. Os vidros grandes devem tornar-se visíveis como obstáculos. Ventoinhas ligadas, recipientes de água abertos e o acesso à cozinha representam perigos durante o voo livre. Cães e gatos não devem ter acesso à zona das aves. As rolas precisam de poder andar e comer no chão sem serem perturbadas.

Fumo, sprays perfumados e vapores de cozinha devem ficar afastados do ar que respiram. Revestimentos antiaderentes sobreaquecidos também podem libertar vapores tóxicos. À noite, as aves precisam de um local sossegado e escuro para dormir. Durante o dia, a iluminação deve proporcionar zonas mais claras e outras com sombra. Uma lâmpada própria para aves deve ser instalada à distância indicada pelo fabricante e de acordo com as instruções de montagem. Devem existir também locais fora do seu feixe de luz.

Sementes pequenas e todos os nutrientes necessários

As rolas-diamante comem sobretudo sementes pequenas. O painço e outras sementes miúdas são, por isso, ingredientes habituais das misturas para pequenas rolas. Uma mistura de sementes, por si só, não fornece necessariamente todos os nutrientes de que precisam. Ao comprar, convém verificar a composição e se o produto é um alimento completo ou complementar.

Um alimento completo é formulado para fornecer os nutrientes necessários quando utilizado segundo as indicações da embalagem. Também existem pequenos grânulos para rolas, por vezes chamados pellets, que são pedaços de alimento preparados e moldados. Um veterinário com experiência em aves pode ajudar a escolher um produto adequado e a integrá-lo na alimentação atual. A mudança deve ser gradual. A quantidade da comida habitual só deve diminuir quando ambas as aves já comerem o suficiente do novo alimento.

Vegetais de folha bem lavados e cortados em pedaços pequenos podem complementar a alimentação. Deve haver sempre água fresca ao alcance das aves. Restos de comida e sujidade devem ser retirados diariamente, e os recipientes devem ser bem lavados. Vale a pena observar cada ave por alguns instantes durante a refeição. Um comedouro cheio não mostra se a mais reservada conseguiu comer o suficiente.

O que é o grit e por que importa conhecer a composição

As rolas-diamante engolem as sementes com a casca. Sob o nome grit vendem-se produtos de composição muito diferente. As pequenas pedras insolúveis, que não se dissolvem durante a digestão, destinam-se a ajudar a triturar os alimentos na moela. Esta é a parte musculosa do estômago. Já o grit de conchas é feito de conchas trituradas que se podem dissolver no aparelho digestivo e fornecer cálcio. Este mineral é necessário, entre outras funções, para os ossos e as cascas dos ovos.

As recomendações veterinárias sobre grit insolúvel para pombos e rolas não são todas iguais. A rede VCA Animal Hospitals alerta para os problemas causados por quantidades excessivas e recomenda apenas grit de conchas digerível, caso se ofereça grit. O plano alimentar deve, por isso, indicar qual o produto mineral adequado à alimentação principal e em que quantidade deve ser oferecido. Um veterinário com experiência em aves pode avaliar as embalagens dos alimentos para orientar essa escolha. Não se devem combinar suplementos de vitaminas e misturas minerais sem verificar o que cada um acrescenta à dieta.

Procurar comida, tomar banhos de areia e ganhar confiança

Uma pequena porção da comida habitual num recipiente baixo e limpo dá às rolas a oportunidade de procurar e bicar. Ambas devem conseguir chegar ao recipiente, que deve ficar protegido das fezes que caem dos poleiros. As rolas-diamante também gostam de tomar banho em areia fina e seca. Para isso, pode usar-se um recipiente baixo separado, com areia própria para aves. A areia deve ser substituída quando estiver húmida ou suja. O banho de areia deve ficar separado do recipiente de água.

Movimentos tranquilos e alguma distância ajudam nos cuidados diários. Se as rolas continuam a comer perto de ti, é um bom começo. Mais tarde, para as habituar à transportadora, podes oferecer um pouco da comida preferida junto à entrada e depois, aos poucos, mais para dentro. Dar-lhes tempo para se aproximarem por iniciativa própria permite familiarizá-las com a rotina sem as apanhar repetidamente. Receber festas ou pousar na mão não precisa de ser o objetivo.

Pensar nos ovos antes de haver crias

Um par pode começar a reproduzir-se mesmo que não tenhas planeado a reprodução. As fêmeas põem geralmente dois ovos, que ambos os progenitores incubam. Se não pretendes ter crias, não deves disponibilizar cestos de nidificação nem material adicional para construir o ninho. Caso apareçam ovos, um veterinário com experiência em aves ou uma associação experiente pode aconselhar sobre a troca atempada por ovos artificiais de tamanho adequado.

Posturas repetidas exigem muito do organismo e aumentam as necessidades nutricionais. Se uma rola põe ovos com uma frequência invulgar, o veterinário deve avaliar em conjunto a alimentação, a iluminação e os estímulos à reprodução. Uma fêmea fraca, com as penas eriçadas, que faz força ou respira com dificuldade pode ter um ovo retido, entre outras possíveis causas. É uma urgência veterinária. Não se deve pressionar o abdómen nem tentar retirar o ovo em casa.

A chegada a casa e os cuidados ao longo dos anos

Antes de receber as aves, convém esclarecer a sua origem, a alimentação habitual e os problemas de saúde conhecidos. No caso de aves jovens, quem as entrega deve confirmar que já comem de forma autónoma e consistente. Um alojamento preparado, com a comida conhecida e água fácil de encontrar, facilita a chegada. Uma ave nova que vá juntar-se a outras deve primeiro ser examinada. Até que o veterinário considere seguro aproximá-las, devem ficar em divisões separadas. Esta quarentena ajuda a impedir a transmissão de infeções que ainda não tenham sido detetadas.

O ZOO Sedlec refere que as rolas-diamante podem viver dez anos ou mais sob cuidados humanos. À medida que envelhecem, ambas devem continuar a conseguir chegar aos locais habituais. Poleiros mais baixos, onde seja fácil pousar, e comedouros adicionais podem ajudar uma ave que já não voa tão bem. Uma alteração repentina da mobilidade deve ser avaliada pelo veterinário, em vez de ser atribuída apenas à idade.

Nas férias, é preciso alguém que conheça as duas rolas, as observe todos os dias e saiba que veterinário contactar. O planeador de custos ajuda a estimar as despesas com o viveiro e a alimentação e a reservar dinheiro para tratamentos. Um plano de cuidados para quem fica com as aves permite registar a rotina da manhã e explicar os sinais de que uma delas está diferente do habitual.

Reconhecer alterações no dia a dia

É nas atividades habituais que melhor conheces as rolas. Qual come primeiro, onde descansam e como se deslocam pelo viveiro? Conhecer estes hábitos ajuda a perceber as mudanças. Menos apetite, uma quietude invulgar, alterações nas fezes ou perda de peso devem ser avaliados sem demora por um veterinário com experiência em aves. Um vídeo curto pode mostrar o que observaste em casa.

Passar tempo no chão é normal para as rolas-diamante. O que preocupa é uma ave permanecer ali fraca, com as penas eriçadas, de olhos fechados e quase sem reagir ao que a rodeia. Dificuldade em respirar, uma lesão ou fraqueza acentuada exigem ajuda veterinária imediata. Durante os cuidados diários, convém também verificar o chão, os recipientes e os poleiros. O material do fundo deve ser substituído quando estiver húmido, a sujidade deve ser retirada e os ramos danificados devem ser trocados.

Perguntas frequentes

Posso ter apenas uma rola-diamante?

Ao preparar o alojamento, deves prever companhia compatível da mesma espécie. Um par que se dá bem pode descansar, chamar e procurar comida em conjunto. Se uma ave perder a companheira, convém primeiro esclarecer a causa da morte e depois procurar um novo companheiro com ajuda de alguém experiente.

Uma gaiola alta chega para duas rolas-diamante?

Elas precisam sobretudo de um percurso útil para voar e de espaço no chão. Uma gaiola alta e estreita oferece pouco de ambos. Um viveiro amplo ou uma divisão preparada para aves pode ser organizado de forma que consigam voar, pousar, andar e afastar-se uma da outra.

As rolas-diamante ficam mansas?

Algumas habituam-se às pessoas que conhecem e continuam tranquilas perto delas durante a alimentação. A proximidade que cada ave aceita varia. Rotinas calmas e pequenas recompensas alimentares ajudam a ganhar confiança. Segurar uma rola apenas para lhe fazer festas tende a assustá-la.

As rolas-diamante precisam de um ninho para dormir?

Um cesto de nidificação destina-se à reprodução e não deve ser oferecido habitualmente como cama quando não se pretende ter crias. Para descansar, precisam de poleiros adequados numa zona abrigada. Se uma fêmea puser ovos mesmo assim, convém pedir orientação experiente sobre o que fazer.

Fontes e créditos das fotografias

Créditos das fotografias

Fotografia: Diamond Dove. · Laurie Boyle · CC BY-SA 2.0.

Fotografia: Diamond Dove · Jean Ogden Just Chaos Photography · CC BY 2.0.

Fotografia: Diamond Dove · kami rao · CC BY 2.0.

Fotografia: Diamond Doves. · Laurie Boyle · CC BY-SA 2.0.

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