Uma cacatua australiana de plumagem rosa e cinzenta
A cacatua-galah tem o nome científico Eolophus roseicapilla. Com cerca de 35 centímetros de comprimento total, é uma cacatua de tamanho médio. A face e a parte inferior do corpo são cor-de-rosa, as asas são cinzentas e a crista tem um tom mais claro.
A espécie vive numa grande parte da Austrália. Estas cacatuas procuram frequentemente sementes no chão e deslocam-se em bandos até locais com alimento abundante. Os parceiros costumam manter-se próximos dentro do grupo. Aos momentos tranquilos de alimentação seguem-se voos rápidos e ágeis. Esta combinação de procura de comida, movimento e contacto social ajuda a perceber o que também as ocupa quando vivem connosco.
Um parceiro compatível e espaço para se afastarem
O alojamento deve ser pensado para um par de cacatuas-galah que se dê bem. Descansar juntas, chamar uma pela outra e cuidar das penas da companheira fazem parte da sua vida social. A relação de confiança com as pessoas pode desenvolver-se ao mesmo tempo. Acolher um par que já viva em harmonia, através de uma entidade de adoção responsável, pode facilitar o início porque se conhece a história das duas aves.
Antes de apresentar uma ave nova, um veterinário com experiência em aves deve avaliar a sua saúde e orientar um período de alojamento separado. Esta quarentena ajuda a evitar que a recém-chegada transmita uma infeção ainda não detetada. Depois dessa fase, as aves podem habituar-se uma à outra, vendo-se e ouvindo-se à distância, antes de passarem a encontros supervisionados.
As duas precisam de locais para se afastarem e de acesso à comida e à água. Se uma afasta a outra repetidamente, a imobiliza ou a magoa, convém separá-las em segurança. Os conflitos entre cacatuas podem ser graves. Por isso, vale a pena ter um alojamento separado preparado e pedir ajuda experiente para escolher um parceiro. Colocar simplesmente a ave nova no viveiro já ocupado seria um mau começo.
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Planear primeiro o voo e depois os acessórios
Um viveiro é um alojamento suficientemente grande para as aves voarem no seu interior. Importa perceber quanto espaço fica livre depois de colocar os acessórios. As cacatuas-galah devem conseguir dar várias batidas de asas entre locais seguros de pouso, sem terem de mudar logo de direção. O World Parrot Trust recomenda para esta espécie um viveiro onde uma pessoa possa entrar, com pelo menos sete metros de comprimento.
Em casa, os cuidados diários devem incluir uma zona de voo segura e realmente utilizável. Uma gaiola alta cheia de ramos para trepar não substitui um percurso de voo. Ramos com diferentes diâmetros permitem variar o apoio das patas. Convém distribuí-los de forma a deixar livres os locais de descanso e as passagens entre eles. As taças devem ficar em locais protegidos das fezes que possam cair dos poleiros.
Antes de as aves voarem pela casa, convém fechar janelas e portas para o exterior, desligar ventoinhas e proteger os cabos. As grandes superfícies de vidro devem ser reconhecíveis como obstáculos. Um viveiro exterior precisa de abrigo, sombra e uma entrada que evite fugas. A temperatura, a iluminação e o abrigo devem ser planeados de acordo com o clima local e as condições a que as aves estavam habituadas. O nosso guia de alojamento para aves explica cada etapa dessa preparação.
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Variar a alimentação e acompanhar as quantidades
Na Austrália, as cacatuas-galah comem sementes, mas uma taça de sementes de girassol não chega para uma alimentação equilibrada. Na natureza, deslocam-se bastante para procurar comida e encontram alimentos diferentes ao longo do ano. Em casa, um alimento completo adequado a papagaios deve assegurar os nutrientes necessários. Os pellets são pequenos pedaços moldados, feitos a partir de vários ingredientes. Brócolos e cenoura dão variedade, a que se podem juntar pequenas quantidades de fruta. As sementes e os frutos secos podem fazer parte da porção diária, em quantidades medidas, ou servir de recompensa no treino.
A quantidade adequada depende, entre outros fatores, da atividade das aves. Muitas guloseimas calóricas e pouco movimento podem levar ao excesso de peso. Em vez de encher sempre a taça, convém observar o que cada ave come realmente. A comida usada em atividades de procura e como recompensa deve contar para a porção diária. Um veterinário de aves pode avaliar a condição corporal, ou seja, o equilíbrio entre massa muscular e reservas de gordura.
Mudar a alimentação exige paciência. Podes apresentar os alimentos novos juntamente com os habituais e confirmar se estão a ser comidos. A comida anterior só deve ser reduzida quando a nova alimentação for aceite de forma consistente. A água deve ser renovada e as taças lavadas diariamente. Os restos de comida fresca devem ser retirados antes de se estragarem. As cacatuas-galah não precisam de grit digestivo, as pequenas pedras que algumas outras aves engolem para ajudar a triturar a comida.
Procurar comida, desfazer materiais e aprender em conjunto
Um pedaço de madeira não tratada e segura para aves pode despertar mais interesse do que um brinquedo elaborado. A cacatua pode roê-lo, rodá-lo com uma pata e desfazê-lo aos poucos. Para uma procura de comida simples, podes colocar alguns pedaços do alimento habitual à vista, dentro de papel dobrado sem apertar. Depois de a ave perceber como chegar à comida, a tarefa pode ficar um pouco mais difícil. A atividade deve permitir que tenha sucesso.
Os objetos novos devem ser apresentados primeiro a alguma distância. Algumas aves aproximam-se logo, enquanto outras precisam de várias oportunidades para os conhecer. Nas verificações regulares, convém retirar fixações danificadas, materiais com arestas cortantes e fios soltos. Os materiais devem ser adequados à força do bico e deixar livres os percursos de voo.
Pequenos exercícios podem facilitar os cuidados: subir voluntariamente para um poleiro, aproximar-se da caixa de transporte ou ficar em cima de uma balança. Uma pequena recompensa logo após o comportamento pretendido ajuda a ave a perceber o exercício. Na habituação à caixa de transporte, até um olhar tranquilo na direção da caixa pode ser um primeiro passo. A ave deve poder aproximar-se ao seu ritmo, sem pressão. O nosso guia de treino mostra como desenvolver estas etapas.
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Conviver com os chamamentos e o pó das penas
As cacatuas-galah comunicam com chamamentos fortes. Mesmo uma ave com atividades interessantes não fica em silêncio o dia inteiro. Antes de escolher a espécie, vale a pena conhecê-la pessoalmente e ouvi-la num ambiente habitual. Numa casa com pouco isolamento sonoro, o ruído pode tornar-se um problema. A rotina também deve ter momentos regulares para brincadeira e contacto social.
As cacatuas produzem um pó fino a partir de penas especiais. Esse pó espalha-se quando se movimentam e arranjam a plumagem. Superfícies laváveis, limpeza regular e boa ventilação facilitam os cuidados. Um banho aceite voluntariamente pode fazer parte da higiene das penas. Quem tem asma ou uma alergia conhecida ao pó deve conversar com o médico antes de receber cacatuas, para avaliar o impacto na sua saúde.
O ar deve estar livre de fumo e vapores irritantes. A cozinha não é uma divisão adequada para alojar aves. Os vapores de aparelhos revestidos que sobreaquecem podem ser particularmente perigosos, incluindo frigideiras com PTFE. Esta sigla designa um plástico usado em alguns revestimentos antiaderentes. Sprays perfumados e vapores fortes de produtos de limpeza também devem ficar afastados do ar que as aves respiram.
Reconhecer cedo as alterações
Pesagens regulares ajudam a detetar mudanças. Vale a pena habituar a ave a subir voluntariamente para uma balança e pesá-la aproximadamente à mesma hora. A evolução do seu peso é mais útil do que a comparação com outra cacatua-galah. Aumentos ou perdas evidentes devem ser discutidos com um veterinário de aves, juntamente com a alimentação e outras observações.
Uma ave que come menos, fica invulgarmente calada, apresenta alterações nas fezes ou passa muito tempo com as penas eriçadas deve ser examinada sem demora. Dificuldade evidente em respirar, fraqueza intensa ou uma lesão exigem ajuda veterinária imediata. Convém ter preparados o contacto da clínica, um serviço de urgência disponível e a caixa de transporte.
Penas danificadas e zonas sem penas podem ter causas diferentes. A saúde, a alimentação e as condições de vida podem estar envolvidas. Acrescentar brinquedos não resolve todos os casos. Um exame e uma revisão da rotina ajudam a perceber o que deve mudar. As consultas preventivas também permitem avaliar o peso, o bico, as patas e a alimentação.
Conhecer o passado das aves facilita a chegada
Antes de receber as aves, convém perguntar com quem viveram, o que costumam comer, como está a saúde e que experiências tiveram com pessoas. Um par adulto também pode adaptar-se bem a uma casa nova. As aves jovens já devem comer sozinhas e ter oportunidades de crescer com os pais ou com outras aves. Na criação à mão, são as pessoas que alimentam as crias. Estas aves continuam a precisar de contacto com outros papagaios para aprenderem o seu comportamento social.
Ter um par não implica ter crias. Caixas-ninho e cavidades escuras podem estimular a reprodução, pelo que não devem ser usadas como abrigos habituais para dormir. Acariciar as costas ou a zona debaixo das asas também pode provocar respostas sexuais. Se a ave procurar contacto, uma carícia suave na cabeça é mais adequada.
A postura repetida de ovos ou problemas ligados ao comportamento reprodutivo devem ser discutidos com um veterinário de aves. Uma fêmea que fica fraca, faz força ou respira com dificuldade na altura da postura precisa de ajuda imediata. A retenção de ovo ocorre quando a ave não consegue pôr o ovo normalmente. Tentar resolver o problema pressionando o abdómen pode causar lesões.
Preparar uma vida que pode durar décadas
O National Zoo & Aquarium, em Camberra, indica uma longevidade de 30 a 40 anos para estas cacatuas em cativeiro. Muita coisa pode mudar na tua vida durante esse tempo. Por isso, o plano de cuidados deve prever mudanças de casa, novos horários de trabalho e alguém que possa ajudar em caso de doença.
O orçamento deve incluir o alojamento, a alimentação regular, a substituição de ramos e materiais para atividades, e os cuidados veterinários. O planeador de custos ajuda a separar estas despesas. Para as férias, um plano de cuidados pode reunir porções de comida, sinais conhecidos pelas aves, rotinas de limpeza e contactos úteis. A pessoa que te substituir deve conhecer as duas aves e aprender antecipadamente a usar portas e caixas de transporte em segurança.
Uma cacatua-galah pode criar uma relação próxima com as pessoas e continuar a ser uma ave independente e social. A convivência é especialmente gratificante para quem também gosta de observar: duas aves a cuidar das penas uma da outra, um ramo a ser desfeito com atenção ou um voo seguro até ao pouso preferido.
Ler mais: As fases da vida das aves: da juventude à velhice · Viver com papagaios: escolher a espécie e organizar o dia a dia
Perguntas frequentes
Uma cacatua-galah pode viver sozinha se eu lhe dedicar muito tempo?
Ao preparar a chegada, convém incluir a companhia de outra ave compatível da mesma espécie. As pessoas podem brincar e treinar com uma cacatua, mas não partilham toda a sua vida social. Para uma ave que vive sozinha há muito tempo, vale a pena pedir ajuda experiente na escolha de um parceiro.
As cacatuas-galah são silenciosas?
Os seus chamamentos podem ser fortes e penetrantes. Também têm momentos tranquilos, mas não se deve contar com uma convivência silenciosa. Visitar pessoas que já cuidam destas aves ajuda a perceber melhor o som antes de tomar a decisão.
Basta uma gaiola grande com voo livre todos os dias?
O que importa é o espaço de voo realmente disponível e se as aves conseguem utilizá-lo diariamente. Uma gaiola, por si só, não chega. O World Parrot Trust recomenda um viveiro onde uma pessoa possa entrar, com pelo menos sete metros de comprimento. Todo o alojamento deve ser pensado para as aves e as condições locais.
As cacatuas-galah podem aprender a falar?
Algumas imitam palavras ou sons. Essa possibilidade não deve ser o motivo principal para escolher a espécie. O treino em conjunto pode ser divertido mesmo que nunca repitam palavras humanas.
Um olhar mais atento
Fontes e créditos das fotografias
- GalahAustralian MuseumUma cacatua australiana de plumagem rosa e cinzenta · Preparar uma vida que pode durar décadas
- GalahWorld Parrot TrustUma cacatua australiana de plumagem rosa e cinzenta · Planear primeiro o voo e depois os acessórios · Variar a alimentação e acompanhar as quantidades · Conviver com os chamamentos e o pó das penas
- GalahNational Zoo & Aquarium, CanberraPreparar uma vida que pode durar décadas
- Living with other birdsRSPCAUm parceiro compatível e espaço para se afastarem
- Housing and environments for pet birdsRSPCAPlanear primeiro o voo e depois os acessórios
- How to train your pet birdRSPCAProcurar comida, desfazer materiais e aprender em conjunto · Reconhecer cedo as alterações
- Keeping your pet bird happyRSPCAProcurar comida, desfazer materiais e aprender em conjunto
- Feeding pet cockatoosVCA Animal HospitalsVariar a alimentação e acompanhar as quantidades
- Cockatoos: general informationVCA Animal HospitalsConviver com os chamamentos e o pó das penas · Reconhecer cedo as alterações
- Obesity in birdsVCA Animal HospitalsVariar a alimentação e acompanhar as quantidades
- Introducing a new pet birdVCA Animal HospitalsUm parceiro compatível e espaço para se afastarem · Conhecer o passado das aves facilita a chegada
- Recognizing the signs of illness in pet birdsVCA Animal HospitalsReconhecer cedo as alterações
- Household hazards and dangers to birdsVCA Animal HospitalsPlanear primeiro o voo e depois os acessórios · Procurar comida, desfazer materiais e aprender em conjunto · Conviver com os chamamentos e o pó das penas
- Reproductive diseases of pet birdsMSD Veterinary ManualConhecer o passado das aves facilita a chegada
- Position statement: hand-feedingWorld Parrot TrustConhecer o passado das aves facilita a chegada
Créditos das fotografias
Fotografia: Galahs · Robyn Jay · CC BY-SA 2.0.
Fotografia: Galah · NAPARAZZI · CC BY-SA 2.0.
Fotografia: Galahs · Caroline Jones · CC BY 2.0.
Fotografia: Galah: Loop the Loop · I Am birdsaspoetry.com · CC0 1.0.






