Comportamento e cuidados a longo prazo
A cobra-de-focinho-de-porco-ocidental desloca-se sobretudo junto ao chão e passa bastante tempo a escavar. Um terrário com área de chão utilizável e material onde possa escavar permite-lhe manter esse comportamento. Pode aparecer durante o dia e depois desaparecer por completo sob a superfície. Observar os túneis e os locais onde descansa pode ser mais esclarecedor do que esperar vê-la sempre.
Quando se sente ameaçada, pode sibilar, achatar o corpo ou fingir-se morta. Estas reações são sinais de stress. Dar-lhe espaço e acesso a um esconderijo ajuda-a a acalmar. Esta espécie deve viver sozinha. A possibilidade de viver 15 a 20 anos também conta no planeamento do espaço, dos cuidados diários e do acompanhamento por um veterinário com experiência em répteis.
Terrário e substrato
O Canobie Lake Veterinary Hospital indica uma área de chão de, pelo menos, 91 × 46 cm para uma cobra-de-focinho-de-porco-ocidental adulta. Mais espaço utilizável pode ser benéfico, desde que continuem disponíveis zonas com temperaturas diferentes. O terrário precisa de uma tampa segura, pois a cobra consegue empurrar uma cobertura de rede com o focinho. Um esconderijo na zona quente e outro na zona fresca permitem-lhe abrigar-se sem ter de ficar sempre à mesma temperatura.
O substrato é o material que cobre o fundo do terrário. Uma profundidade de cerca de 5 a 8 cm serve de orientação para o substrato. A camada solta deve ser suficientemente profunda para a cobra escavar e se enterrar. Terra segura para répteis ou aparas finas de choupo são exemplos adequados, desde que seja possível mantê-las limpas. Evita aparas de pinho ou cedro e partículas grossas que a cobra possa engolir. A cobra deve ter à disposição um recipiente raso com água fresca. Convém retirar as zonas sujas e limpar o terrário regularmente. Depois, podes repor o substrato limpo para manter profundidade suficiente para escavar túneis.
Calor, humidade e luz
Os répteis regulam a temperatura do corpo deslocando-se entre locais mais quentes e mais frescos. Para esta espécie, os guias veterinários citados indicam uma zona de aquecimento diurna a cerca de 32 a 35 °C e uma zona fresca a cerca de 21 a 24 °C. Termómetros nas duas extremidades mostram as temperaturas a que a cobra tem acesso. Um termóstato regula a fonte de calor e ajuda a evitar o sobreaquecimento. Os esconderijos e as zonas de sombra devem continuar acessíveis quando as luzes estão acesas.
Os guias veterinários recomendam cerca de 30 a 50 % de humidade do ar no terrário. Um higrómetro, aparelho que mede a humidade do ar, ajuda-te a verificá-la. A zona principal do terrário não deve permanecer molhada. Na muda, a cobra renova a camada exterior da pele à medida que cresce ou substitui pele desgastada. Um esconderijo separado com material húmido pode ajudá-la durante esse processo sem molhar todo o terrário. Um ciclo regular de luz e escuridão é adequado para esta espécie ativa durante o dia. Os guias veterinários apresentam a iluminação de baixa emissão de radiação ultravioleta do tipo B (UVB) como um possível complemento, desde que existam locais de sombra onde a cobra se possa refugiar. A radiação UVB pode ajudar o organismo a produzir vitamina D3, necessária para absorver e utilizar o cálcio. A clínica veterinária Canobie indica que temperaturas de cerca de 22 °C são adequadas durante a noite. Convém verificar também esta temperatura com um termómetro. A brumação é uma fase sazonal de menor atividade associada a condições mais frescas. Se for planeada, deve seguir um plano individual definido com um veterinário com experiência em répteis.
Alimentação com um historial conhecido
Na natureza, estas cobras comem frequentemente anfíbios, o que ajuda a explicar por que algumas crias recém-nascidas têm dificuldade em aceitar roedores. Antes de adquirires uma cobra nascida em cativeiro, pede um registo escrito das presas que aceitou, do respetivo tamanho e das refeições que fez com sucesso. Uma cobra já habituada a comer roedores descongelados oferece um ponto de partida mais seguro para manter a alimentação. Se tiveres dúvidas sobre o tamanho das presas ou o plano alimentar, um veterinário com experiência em répteis pode avaliar a idade, o estado corporal e o crescimento daquela cobra.
Os guias veterinários recomendam roedores completamente descongelados e aquecidos. Uma pinça própria para a alimentação mantém os dedos afastados da presa. Presas vivas podem ferir a cobra. O substrato solto pode aderir ao alimento e ser engolido, pelo que uma superfície de alimentação limpa pode reduzir esse risco. Um dos guias veterinários indica aproximadamente uma refeição por semana para adultos e presas mais pequenas a cada 3 a 4 dias para crias recém-nascidas. À medida que uma cobra jovem cresce, convém ajustar o intervalo de acordo com o seu estado corporal e o registo do que tem comido.
Manuseamento calmo e atenção às mordeduras
Uma cobra recém-chegada precisa de tempo para se habituar aos esconderijos e à rotina do novo terrário. Quando começares a manuseá-la, apoia-lhe o corpo por baixo e mantém-na perto do chão para reduzir o risco de queda. Contactos curtos e calmos ajudam-te a perceber como reage. Se sibilar, achatar o corpo ou fingir-se morta, termina o contacto e deixa-a regressar a um esconderijo. Depois de comer, também deve ficar sossegada.
Estas cobras têm dentes na parte posterior da boca e uma secreção salivar ligeiramente tóxica. Uma mordedura pode causar dor ou inchaço, e as reações variam entre pessoas. Se fores mordido, procura aconselhamento médico, sobretudo se os sintomas se agravarem ou surgirem sinais de reação alérgica. Usar uma pinça para alimentar a cobra, mover-te com calma e prestar atenção ao abrir o terrário ajuda a reduzir situações em que uma mão possa ser confundida com alimento.
Observar mudanças e pedir ajuda
Nesta espécie, pode acontecer a cobra falhar uma refeição, sobretudo quando é jovem. Se continuar a recusar alimento, em especial se perder peso, deve ser examinada por um veterinário com experiência em répteis. Registos das presas oferecidas e aceites, do peso, das mudas de pele e das fezes dão ao veterinário informação útil. Leva também as temperaturas e a humidade medidas no terrário. Estes dados ajudam a avaliar se uma mudança de comportamento pode estar relacionada com as condições em que a cobra vive.
A respiração de boca aberta ou a dificuldade visível em respirar exigem avaliação veterinária imediata. Pieira, muco ou bolhas junto ao nariz ou à boca também justificam uma consulta rápida. Fezes invulgares ou ausentes, inchaço à volta da boca e restos de pele após uma muda devem igualmente ser avaliados. Uma fotografia da pele que ficou presa ou de uma postura invulgar pode ajudar o veterinário. Anota quando a alteração começou, há quanto tempo dura e quando a cobra comeu e defecou pela última vez.
Perguntas frequentes
É normal a minha cobra desaparecer debaixo do substrato?
Sim. Escavar e permanecer debaixo do substrato fazem parte do comportamento natural desta espécie. Considera também os seus hábitos alimentares e o estado corporal habitual. Se surgirem outras alterações preocupantes, procura aconselhamento veterinário.
Devo aumentar a humidade de todo o terrário durante a muda de pele?
Um esconderijo separado com material húmido oferece à cobra um local mais húmido durante a muda. A humidade no resto do terrário deve manter-se dentro do intervalo recomendado para a espécie. Se ficarem restos de pele, pede a avaliação de um veterinário com experiência em répteis.
O que fazer se a cobra recusar alimento repetidamente?
Mantém juntos os registos da alimentação, do peso e das condições medidas no terrário. Se a recusa persistir, houver perda de peso ou surgirem outros sinais de doença, procura uma avaliação veterinária especializada em répteis.
Um olhar mais atento
Fontes e créditos das fotografias
- Western Hognose CareChicago Exotics Animal Hospital, Melissa Giese DVMComportamento e cuidados a longo prazo · Calor, humidade e luz · Alimentação com um historial conhecido · Manuseamento calmo e atenção às mordeduras · Observar mudanças e pedir ajuda
- Caring for Your Western Hognose SnakeCanobie Lake Veterinary HospitalComportamento e cuidados a longo prazo · Terrário e substrato · Calor, humidade e luz · Alimentação com um historial conhecido · Manuseamento calmo e atenção às mordeduras · Observar mudanças e pedir ajuda
- Providing a Home for a ReptileMerck Veterinary ManualTerrário e substrato · Calor, humidade e luz · Alimentação com um historial conhecido
- Routine Health Care of ReptilesMerck Veterinary Manual · Stephen J. DiversCalor, humidade e luz
- UVB Lighting for ReptilesLafeberVet · Frances M. BainesCalor, humidade e luz
Créditos das fotografias
Fotografia: Plains Hognose Snake (Heterodon nasicus) (29833441881).jpg · Peter Paplanus from St. Louis, Missouri · CC BY 2.0. Imagem redimensionada e convertida para WebP, sem alterações à cena.
Fotografia: Western hognose snake heterodon nasicus.jpg · Stolz Gary M, U.S. Fish and Wildlife Service · Public domain. Imagem redimensionada e convertida para WebP. Cena inalterada.
Fotografia: Western Hognose Snake (Heterodon nasicus). (c8d8127e-155d-451f-679b-0e236df6f0f2).jpg · NPS Photo · Public domain. Imagem redimensionada e convertida para WebP. Cena inalterada.
Fotografia: Westliche Hakennasennatter.jpg · SantaFeLady · CC BY-SA 4.0. Imagem redimensionada e convertida para WebP. Cena inalterada.






