fellfolio.
Português
Descarregar na App StorePara iPhone e iPad

Répteis · Guia da espécie

Boa-imperador: espaço, clima e cuidados seguros

Uma boa-imperador de corpo musculado avança devagar por um ramo e recolhe informações do ambiente com a língua. Ao fim do dia, é mais fácil observá-la a explorar. A boa-imperador, cujo nome científico é Boa imperator, usa tanto o chão como locais elevados. Um terrário grande, com ramos resistentes, dá-lhe espaço para se deslocar no chão e trepar.

A maioria atinge cerca de 1,5 a 2,4 m, mas algumas crescem bastante mais. As fêmeas são muitas vezes mais compridas e pesadas do que os machos. Os cuidados podem prolongar-se por várias décadas. Antes de levares uma boa jovem para casa, convém saber onde viverá quando for adulta e quem poderá cuidar dela em segurança durante as tuas ausências.

Boa imperator

Boa-imperador enrolada à volta de um tronco e de um ramo na Costa Rica
Planear o tamanho adulto
A origem documentada e o tamanho dos progenitores ajudam-te a estimar o tamanho que a boa poderá atingir. O terrário deve permitir que a serpente adulta estique o corpo por completo.
Equipamento resistente
Ramos, esconderijos e portas têm de suportar o peso e a força de uma boa adulta.
Intervalos longos entre refeições
As boas adultas precisam de comer com muito menos frequência do que as jovens em crescimento.
Ajuda ao manusear
Deve haver outro adulto experiente disponível para ajudar com uma serpente grande.

Distinguir a boa-imperador de outras boas

A boa-imperador é reconhecida como uma espécie própria, Boa imperator. O nome antigo, Boa constrictor imperator, ainda aparece em livros e anúncios de venda. Hoje, Boa constrictor designa outra espécie, e Boa sigma também é reconhecida como espécie distinta. O nome científico e a origem documentada ajudam a identificar o animal anunciado.

As boas-imperador existem em partes do México, da América Central e do noroeste da América do Sul. As populações desta vasta área diferem, entre outros aspetos, no tamanho e no padrão do corpo. Uma designação comercial como «boa-anã» deve vir acompanhada de informação verificável sobre a origem e os progenitores. Mesmo as boas de populações de menor porte precisam de um terrário espaçoso e bem equipado.

Espaço para o corpo inteiro

A Ontario Reptile Rescue recomenda, para uma boa-imperador adulta, um terrário de pelo menos 8 × 4 × 4 pés, ou cerca de 244 × 122 × 122 cm. Esta recomendação concreta ajuda a perceber o espaço necessário. Um animal mais comprido precisa de mais espaço para se esticar por completo. Tanto a área do chão como a altura devem permitir-lhe deslocar-se.

Ramos grossos bem fixos e plataformas elevadas e largas permitem-lhe trepar e repousar. Deve haver esconderijos em zonas com temperaturas diferentes, cada um com espaço para a serpente inteira quando está enrolada. Um recipiente grande para água tem de ficar estável e ser fácil de retirar sem mover elementos pesados do terrário.

A boa deve viver sozinha. As portas precisam de fechos seguros: uma serpente grande pode deslocar painéis de correr soltos ou grelhas de ventilação flexíveis. Enquanto o terrário ainda está vazio, convém verificar como o vais limpar e como poderás retirar a boa para a transportar ao veterinário.

Medir a temperatura e a humidade onde a boa repousa

A ReptiFiles indica uma temperatura do ar de cerca de 30 a 32 °C na extremidade quente e de 24 a 26 °C na zona mais fresca. O local de repouso quente deve ter espaço para o corpo ligeiramente enrolado. Um termóstato regula o aquecimento com base numa sonda que mede a temperatura. Um termómetro separado permite verificar a temperatura real do ar. Lâmpadas e outros componentes quentes têm de estar protegidos para que a boa não lhes toque.

À noite, a iluminação deve ficar apagada. Cerca de 20 a 25 °C serve de referência para a temperatura noturna. Se a divisão arrefecer demasiado, pode ser necessária uma fonte de calor regulada por termóstato que não emita luz visível. Convém verificar também as temperaturas durante a noite. Uma lâmpada UVB adequada sobre parte do terrário pode complementar a iluminação diurna. UVB significa radiação ultravioleta do tipo B. Ajuda o organismo a produzir vitamina D3, que contribui para a utilização do cálcio. A intensidade da lâmpada e a distância a que fica devem ser adequadas à espécie e ao terrário. A boa deve ter sempre acesso a esconderijos à sombra.

É frequentemente recomendada uma humidade do ar de cerca de 55 a 75%. Um higrómetro, aparelho que mede a humidade, permite verificar se esta se mantém nesse intervalo. O substrato, ou seja, o material que cobre o chão do terrário, deve conseguir reter alguma humidade. Um esconderijo húmido pode ajudar na muda de pele, mas também devem existir superfícies secas para repousar. Um cheiro a mofo, escamas da barriga constantemente molhadas ou condensação persistente são motivos para verificar a ventilação e a quantidade de água usada para humedecer o terrário.

Presas inteiras e refeições adequadas à idade e ao estado físico

As boas-imperador comem presas inteiras, como ratinhos ou ratos de tamanho adequado. Os ossos e os órgãos fornecem nutrientes que um pedaço de carne muscular, por si só, não fornece. Presas já mortas e congeladas, compradas a um fornecedor de alimento para répteis de confiança, evitam o risco de ferimentos causados por roedores vivos.

Como orientação geral, a ReptiFiles indica intervalos de cerca de 10 a 12 dias para boas jovens e, muitas vezes, de 4 a 8 semanas para animais adultos mais velhos. O tamanho da porção depende do tamanho da boa, da sua condição corporal, da idade e da atividade. Um veterinário com experiência em répteis pode ajudar-te a definir um plano individual. Refeições grandes e frequentes para acelerar o crescimento favorecem o excesso de peso.

As presas congeladas devem descongelar por completo, por exemplo num saco fechado dentro de água fria, e depois ser aquecidas suavemente. Recipientes próprios e pinças para oferecer alimento mantêm esta preparação separada da comida das pessoas. O micro-ondas pode aquecer de forma desigual. As presas descongeladas que sobrarem não devem voltar a ser congeladas. Depois de comer, a boa deve poder digerir durante pelo menos 48 horas sem ser retirada do terrário.

Apoiar o corpo e ter em conta a força da boa

Quando for necessário transferir a boa, apoia-a em vários pontos ao longo do corpo. Ela pode enrolar-se num braço para se apoiar, mas uma boa adulta não deve poder enrolar-se à volta do pescoço ou da cabeça de uma pessoa. Uma serpente grande é mais difícil de controlar do que uma jovem. Com animais grandes ou difíceis de controlar, outro adulto experiente deve estar suficientemente perto para ajudar de imediato.

Movimentos lentos e calmos e um local de destino preparado facilitam a transferência. Lava as mãos antes para retirar qualquer cheiro a presa. A muda de pele e o período logo após uma refeição são alturas especialmente inadequadas para tirar a boa do terrário. As crianças não devem manusear nem cuidar de uma boa grande sem ajuda de um adulto.

Acompanhar em conjunto a alimentação, as mudas de pele e o peso

Registar as datas das refeições, o tamanho das presas, o peso e as mudas de pele cria um histórico útil. Se ficarem restos de pele sobre os olhos ou na ponta da cauda, procura aconselhamento de um veterinário com experiência em répteis. Não tentes retirar em casa as escamas transparentes que cobrem os olhos.

Se a boa regurgitar repetidamente, ou seja, voltar a expulsar pela boca o alimento que engoliu, convém que seja examinada. Perda de peso ou zonas anormais na pele também justificam uma avaliação veterinária. Dificuldade em respirar, fraqueza acentuada, ferimentos graves ou torções invulgares da cabeça exigem contacto veterinário imediato. Estes sinais podem ter várias causas. Na consulta, os valores medidos no terrário e o histórico alimentar são mais úteis do que um diagnóstico presumido.

Perguntas frequentes

Posso manter uma boa-imperador pequena dando-lhe menos comida?

Dar-lhe deliberadamente menos alimento do que precisa não é uma forma adequada de controlar o tamanho. A origem e o sexo influenciam o tamanho que poderá atingir quando adulta. A alimentação deve sustentar o crescimento e uma condição corporal saudável, e o terrário deve ser planeado para o animal.

A Boa imperator é venenosa?

Não. É uma serpente constritora não venenosa, que aperta as presas com o corpo. Ainda assim, uma mordedura e a força de um animal grande podem causar ferimentos. Por isso, são importantes cuidados seguros e ajuda adequada ao manuseá-la.

Fontes e créditos das fotografias

Créditos das fotografias

Fotografia: Boa constrictor imperator, the Central American Boa.jpg · Dick Culbert · CC BY 2.0. Imagem reduzida para a Web e convertida para WebP, sem alterações no conteúdo.

Fotografia: Boa constrictor imperator (Costa Rica).jpg · Lucas Vogel · CC BY-SA 4.0. Imagem reduzida para a Web e convertida para WebP, sem alterações no conteúdo.

Fotografia: 2006-08-17 Boa Constrictor, Puerto Viejo, Costa Rica.jpg · Matthias Bethke · CC BY-SA 4.0. Imagem reduzida para a Web e convertida para WebP, sem alterações no conteúdo.

Fotografia: Boa imperator 105789422.jpg · maddysk · CC0. Imagem reduzida para a Web e convertida para WebP, sem alterações no conteúdo.

Também te pode interessar

Répteis

Voltar ao grupo de animais ↗
Píton-real enrolada, com um padrão castanho
Perfil da espécie · Serpentes

Píton-real

Como cuidar de uma píton-real: espaço e esconderijos no terrário, temperatura e humidade adequadas, alimentação e sinais a observar durante a muda de pele ou uma pausa na alimentação.

Ler guia
Cobra-do-milho com um padrão avermelhado, enrolada num ramo
GUIA DE ESPÉCIES DE RÉPTEIS

Cobra-do-milho

O espaço no terrário, o calor, a alimentação, a muda da pele e o contacto tranquilo fazem parte dos cuidados com a cobra-do-milho.

Ler guia
Dragão-barbudo-central com a cabeça erguida numa paisagem seca
Compreender os répteis

Calor e radiação ultravioleta do tipo B (UVB): como preparar o terrário

O papel da radiação ultravioleta do tipo B (UVB) nos répteis, como combinar calor e luz e onde e quando medir as temperaturas no ponto de aquecimento, na zona mais fresca e durante a noite.

Ler guia