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Répteis · Retrato da espécie

Boa-da-areia-do-Quénia: substrato, calor e alimentação

Por vezes, só se veem os olhos e o focinho curto de uma boa-da-areia-do-Quénia acima do chão. O resto do corpo permanece enterrado no substrato solto. Escavar faz parte do seu dia a dia e também deve ser possível no terrário. Esta espécie pode, por isso, não corresponder às expectativas de quem quer ter a serpente sempre à vista.

Este retrato descreve Eryx colubrinus, uma boa-da-areia da África Oriental e do Nordeste de África. O nome comum não abrange toda a sua distribuição natural. Pode viver mais de 20 anos, pelo que os cuidados exigem planeamento a longo prazo. Além do terrário, é preciso prever eletricidade, animais para alimentação e acesso a um veterinário de répteis.

Eryx colubrinus

Boa-da-areia-do-Quénia com padrão laranja e preto sobre pedaços de casca de árvore.
Vida debaixo do solo
Uma camada funda de substrato adequado permite o comportamento natural de escavação.
Escolha de temperaturas
A serpente precisa de zonas quentes e mais frescas, incluindo debaixo dos esconderijos.
Espécie protegida
Na Alemanha, a preparação inclui documentos de origem e comunicação à autoridade competente.

Identificar a espécie de boa-da-areia

Em documentos antigos, Eryx colubrinus pode aparecer como Gongylophis colubrinus. Os dois nomes designam a mesma espécie. Outras boas-da-areia têm necessidades próprias. Em particular, Eryx jaculus, a boa-da-areia-ocidental, não deve ser confundida com esta espécie durante a compra ou a verificação dos documentos de proteção das espécies.

As fêmeas tornam-se bastante maiores e mais pesadas do que os machos. A clínica The Exotic Pet Vets indica cerca de 46 a 91 cm de comprimento total para adultos. O alojamento deve ser planeado para o tamanho final. Um padrão de cor invulgar não indica de forma fiável a região de origem do animal nem a sua reação ao manuseamento.

Um fundo que permita enterrar-se

A The Exotic Pet Vets recomenda pelo menos cerca de 91 × 46 × 46 cm para um adulto. É uma recomendação veterinária de cuidados, não um mínimo legal. Uma fêmea grande beneficia de mais área de chão. Entre os elementos da instalação, o substrato deve ser suficientemente fundo para a serpente se enterrar por completo.

A clínica indica cerca de 8 a 10 cm de material escavável como profundidade inicial. Um substrato adequado mantém-se solto, levanta pouco pó e não contém peças cortantes. O nome boa-da-areia não significa que a areia pura seja a única opção. Pedras e recipientes pesados devem assentar de forma estável no fundo do terrário antes de se adicionar o substrato. A instalação deve impedir que a serpente os desestabilize ao escavar. Portas, passagens de cabos e grelhas de ventilação devem impedir fugas.

Zonas quentes e esconderijos mais frescos

A ficha de cuidados da espécie indica, como orientação, um ponto de aquecimento de cerca de 35 °C e uma zona mais fresca entre cerca de 24 e 27 °C. Uma única leitura na parede do fundo não mostra todas as temperaturas disponíveis. Meça onde a serpente permanece e junto ao substrato em ambas as zonas, depois de as lâmpadas aquecerem e também à noite.

Um termóstato controla a fonte de calor em função de uma medição de temperatura. A sonda deve ficar bem fixa. Esconderijos nas duas zonas permitem à serpente escolher entre mais calor e mais frescura. Não se devem usar pedras aquecedoras. UVB significa radiação ultravioleta do tipo B. Ajuda na produção de vitamina D3, que permite ao organismo utilizar o cálcio. Uma iluminação UVB de baixa intensidade bem preparada também pode ser útil para esta serpente, sobretudo ativa ao anoitecer e à noite. Continuam a ser necessários esconderijos totalmente à sombra. O tipo de lâmpada, a distância e uma eventual malha entre a lâmpada e o animal influenciam a radiação que o atinge.

Presas inteiras e uma rotina de alimentação limpa

Estas boas alimentam-se de presas animais. Em cativeiro, recebem animais inteiros de tamanho adequado, geralmente ratinhos. As presas congeladas devem estar totalmente descongeladas. Roedores vivos podem ferir gravemente uma serpente com os dentes. O tamanho da refeição e o intervalo entre refeições dependem da idade, da condição corporal e do historial alimentar. Uma data no calendário, por si só, não determina quando deve ser oferecida a refeição seguinte.

O registo alimentar pode ser breve: espécie e tamanho da presa, se foi comida ou recusada, data e peso da serpente. Guarde as presas congeladas separadas dos alimentos das pessoas e descongele-as fora da cozinha. Os recipientes de descongelação devem ficar separados dos utensílios de cozinha. Uma taça pouco funda com água fresca deve estar sempre acessível. Mesmo uma serpente escavadora de habitats relativamente secos precisa de água para beber.

Esconder-se, mudar de pele e reconhecer sinais de alerta

Durante a muda, a serpente renova a camada exterior da pele. Antes disso, as cores podem ficar mais baças e os olhos temporariamente turvos. Um esconderijo húmido adequado ajuda sem molhar o terrário inteiro. Convém verificar a humidade em vez de pulverizar o fundo sempre que a serpente desaparece de vista.

Permanecer enterrada é um comportamento normal nesta espécie. Contudo, novos ruídos ao respirar, muco junto à boca, regurgitação repetida de alimento ou perda evidente de peso exigem avaliação veterinária rápida. Não se deve puxar a pele presa. Quando for necessário deslocar o animal, apoie-lhe o corpo por baixo. Nunca se deve puxar uma boa-da-areia pela cauda para a retirar do esconderijo, nem tirá-la repetidamente apenas para a observar.

Verificar a origem e as obrigações locais

Na União Europeia, Eryx colubrinus está incluída no anexo B do regulamento sobre o comércio de espécies protegidas. Esta categoria exige origem legal e não corresponde a uma proibição geral de manutenção. A documentação escrita deve esclarecer o nome científico, a origem e a transferência. A expressão “criada em cativeiro”, por si só, não é suficiente.

Na Alemanha, a manutenção desta espécie protegida deve ser comunicada à autoridade de conservação da natureza competente. As exceções para certas outras boas e para a pitão-real não se aplicam automaticamente à boa-da-areia-do-Quénia. As transferências e alterações no número de animais mantidos também devem ser comunicadas. Se vive noutro país ou pretende transportar um animal através de uma fronteira, confirme previamente as exigências locais com a autoridade competente. Fotografias e notas numa aplicação podem ajudar a organizar os documentos, mas não substituem os comprovativos legalmente exigidos.

Perguntas frequentes

É uma serpente indicada para pegar nela frequentemente?

Uma grande parte da sua vida decorre debaixo do solo. Verificações breves e necessárias são diferentes de manuseamento diário. Observar o comportamento natural informa mais do que deslocar a serpente repetidamente.

Tem de viver em areia pura?

Não. Precisa de um substrato adequado e suficientemente fundo para se enterrar. O material deve ajustar-se ao plano de calor e humidade, sem excesso de pó nem peças cortantes.

Fontes e créditos das fotografias

Créditos das fotografias

Fotografia: Eryx colubrinus close up.jpg · The Reptilarium · CC BY-SA 2.0. A imagem foi reduzida e convertida para o formato WebP. A cena manteve-se inalterada.

Fotografia: Gongylophis colubrinus loveridgei.jpg · Viki at German Wikipedia · CC BY-SA 3.0. A imagem foi reduzida e convertida para o formato WebP. A cena manteve-se inalterada.

Fotografia: File:Eryx colubrinus stripe morph lateral view.jpg · NathanScientific · CC0. A imagem foi reduzida e convertida para o formato WebP. A cena manteve-se inalterada.

Fotografia: File:Eryx colubrinus albino morph.jpg · B a y L e e ' s 8 Legged Art · CC BY-SA 2.0. A imagem foi reduzida e convertida para o formato WebP. A cena manteve-se inalterada.

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