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Cavalos · Guia da raça

Appaloosa: temperamento, pelagem, cuidados e saúde dos olhos

Alguns Appaloosas têm manchas escuras espalhadas por um corpo quase branco. Noutros, sobressai uma zona clara na parte de trás do dorso, enquanto outros são praticamente de uma só cor. Estas aparências tão diferentes pertencem a uma raça americana cuja história está profundamente ligada ao povo Nimiipuu, também conhecido como Nez Perce.

Um Appaloosa pode acompanhar-te em passeios a cavalo, em provas de ensino ou na equitação western. As atividades que melhor se adequam a cada cavalo dependem da sua constituição, aprendizagem e experiência. Ao escolher um, vale a pena conhecê-lo com tempo e perceber de que cuidados precisa. As particularidades da pelagem também ajudam a compreender algumas questões importantes sobre a saúde dos olhos.

Um cavalo branco com manchas pretas pasta num prado verde.
Raça e ascendência
Os documentos de ascendência que podem ser verificados ajudam a confirmar a raça. Uma pelagem com manchas, por si só, não identifica um Appaloosa.
Um cavalo adequado à tua experiência
Para quem está a começar, um cavalo saudável, bem ensinado e habituado às situações do dia a dia costuma ser uma escolha mais adequada do que um jovem que ainda tem muito para aprender.
Atenção à saúde dos olhos
Certas variantes genéticas estão associadas à cegueira noturna e a um maior risco de inflamação ocular. Os exames aos olhos e os resultados já existentes devem fazer parte da avaliação antes da compra.

O que identifica um Appaloosa

O Appaloosa é uma raça com registo próprio. O Appaloosa Horse Club americano, abreviado para ApHC, documenta, entre outros dados, a ascendência dos cavalos registados. Um cavalo de pelagem uniforme também pode ser um Appaloosa. Por outro lado, manchas semelhantes aparecem nos Knabstruppers e noutras raças. Antes da compra, documentos de registo e ascendência verificáveis dizem mais sobre a raça do que uma fotografia.

O programa de criação do Appaloosa Horse Club Germany estabelece como objetivo uma altura de 142 a 165 centímetros ao garrote. Esta medida vai do chão até à zona mais elevada onde o pescoço se encontra com o dorso. O intervalo descreve um objetivo de criação. Pode haver cavalos acima ou abaixo destes valores.

O objetivo é um cavalo de sela atlético, com musculatura bem desenvolvida. Dentro da raça, existem diferentes constituições e linhas de criação. Ao escolher, importa perceber se o tamanho, os movimentos e a preparação do cavalo se adequam ao que pretendes fazer. A sela deve ajustar-se ao corpo daquele cavalo. Convém voltar a verificar o ajuste regularmente, porque a musculatura e a forma do corpo podem mudar.

A ligação ao povo Nimiipuu

Os Nimiipuu vivem no noroeste da América do Norte. A sua forma de criar e trabalhar com cavalos teve grande influência no desenvolvimento do Appaloosa. Os cavalos permitiam percorrer longas distâncias, apoiavam a caça e o comércio e eram valorizados pela resistência e agilidade. Entre os seus animais também havia cavalos com manchas. O nome Appaloosa surgiu a partir de uma designação para cavalos da região de Palouse, situada nos atuais estados de Washington e Idaho.

Esta história inclui a expulsão violenta dos Nimiipuu de partes do seu território. Durante a guerra de 1877, famílias fugiram com os cavalos perante o avanço do exército dos Estados Unidos. Muitos animais foram capturados e as manadas dispersaram-se. A criação de cavalos foi interrompida num período marcado pela perda de terras e de autonomia deste povo.

O atual Appaloosa Horse Club foi fundado em 1938, dando uma nova organização à criação e ao registo da raça. Desde então, o Appaloosa moderno continuou a desenvolver-se. O Nez Perce National Historical Park documenta a história dos Nimiipuu e os acontecimentos de 1877. Os seus relatos permitem compreender melhor o contexto desta parte da história da raça.

Como surgem os padrões da pelagem e o que é LP

No padrão chamado leopardo, manchas escuras distribuem-se por uma pelagem em grande parte branca. O padrão blanket parece uma manta clara sobre a parte de trás do dorso e também pode apresentar manchas. Blanket significa manta em inglês. São nomes usados para descrever e reconhecer diferentes desenhos da pelagem.

A variante genética LP tem um papel importante nestes padrões. A sigla vem de Leopard Complex e identifica uma parte da sua base hereditária. Outros genes influenciam a quantidade de branco visível. Por isso, contar as manchas não permite saber com segurança se um cavalo tem uma ou duas cópias de LP. Um teste genético pode esclarecer essa questão.

Também são frequentes a pele mosqueada, os cascos com riscas verticais e a parte branca do olho bem visível à volta da íris. A íris é o anel colorido que rodeia a pupila. Nesta raça, o branco do olho pode estar visível normalmente e não deve ser interpretado, por si só, como sinal de medo. A pelagem pode mudar com a idade, à medida que surgem mais pelos brancos em zonas antes escuras.

Atividades que combinam com o teu cavalo

Os Appaloosas são criados, entre outras finalidades, para passeios e modalidades western. Nas provas de trail, por exemplo, o cavalo ultrapassa obstáculos como portões e varas colocadas no chão. Para aprender estas tarefas, precisa de sinais claros e de uma preparação gradual. Um Appaloosa com características e formação adequadas também pode participar em várias atividades fora das competições western.

No dia a dia, convém observar como o cavalo se deixa conduzir à mão, se espera tranquilamente, se dá os cascos e como reage a situações desconhecidas. Um cavalo castrado é um macho a quem foram retirados os testículos, enquanto uma égua é uma fêmea adulta. Ambos podem ser bons companheiros de equitação quando a aprendizagem, a experiência e o comportamento se adequam a quem os monta. Um garanhão, ou seja, um macho não castrado, exige mais experiência de quem o trata, instalações seguras e atenção ao contacto com outros cavalos. A sua adequação também deve ser avaliada pelo comportamento que realmente apresenta.

Exercícios simples e uma recompensa adequada ajudam o cavalo a perceber a resposta pretendida. Por exemplo, antes de te sentares na sela, podes ensinar-lhe, em pequenos passos, a ficar quieto junto de um bloco de montar, um degrau estável que facilita a subida. Se o cavalo começa de repente a afastar-se durante a escovagem ou reage de outra forma quando é montado, convém investigar possíveis dores e verificar o equipamento. O nosso guia de treino com recompensas explica como organizar exercícios de forma clara.

Espaço para se mexer e companhia de outros cavalos

Um local adequado para um Appaloosa deve permitir movimento livre todos os dias e contacto regular com outros cavalos. A presença de cavalos noutra parte da propriedade pode não satisfazer essa necessidade. Vale a pena verificar se poderá conviver com companheiros compatíveis, descansar e chegar à comida e à água sem dificuldade.

Num grupo, os locais de alimentação e as passagens devem permitir que um cavalo de posição mais baixa na hierarquia se afaste dos restantes. Uma zona seca para se deitar e abrigo do sol, do vento e da chuva também fazem parte da preparação. Ao visitar uma instalação, convém perguntar como funciona a saída para o exterior no inverno. O movimento diário deve continuar a ser possível quando é necessário deixar as pastagens recuperar.

Depois de uma mudança, o cavalo precisa de tempo para conhecer os percursos, as pessoas e os novos companheiros. Informação sobre a alimentação anterior, os horários e o comportamento no grupo ajuda na adaptação. A apresentação aos outros cavalos deve ser preparada pela equipa que cuida do espaço. O nosso guia para escolher alojamento ajuda-te a avaliar as instalações e os cuidados diários antes de decidir.

Alimentação, cascos e pele no dia a dia

A base da alimentação é a forragem de boa qualidade, sobretudo erva e feno. A quantidade e a composição da dieta devem acompanhar a condição corporal, o trabalho e a saúde do cavalo. Um Appaloosa que faz passeios tranquilos não precisa automaticamente de grandes quantidades de alimentos concentrados, como aveia ou misturas de cereais. Os minerais e outros suplementos devem ser escolhidos em função do que a alimentação já fornece. Uma análise da forragem e aconselhamento nutricional especializado podem ajudar.

Para acompanhar a condição corporal, convém observar e apalpar regularmente as costelas, o pescoço e o dorso. Assim, é mais fácil detetar acumulações de gordura e mudanças que uma pelagem espessa pode esconder. O tamanho da barriga, por si só, diz pouco. As alterações de alimento e do tempo de pastagem devem ser graduais. Todos os cavalos precisam de acesso permanente a água fresca, incluindo aquele que os outros afastam do bebedouro.

Na rotina, convém observar os cascos e contar com um profissional para os aparar, além de acompanhar a pele e a pelagem. A pele rosada, por exemplo no nariz, pode sofrer queimaduras solares com facilidade. Convém prever sombra e proteção solar apropriada. Cascos com riscas precisam da mesma atenção que quaisquer outros. Um profissional de cuidados dos cascos pode ajudar a decidir se são necessárias ferraduras, tendo em conta o estado dos cascos, o terreno e o trabalho previsto.

Distinguir cegueira noturna de inflamação ocular

Um cavalo que herdou a variante LP de ambos os progenitores tem duas cópias, identificadas no resultado laboratorial como LP/LP. Estes cavalos têm cegueira noturna congénita estacionária. Congénita significa que está presente desde o nascimento, e estacionária indica que esta alteração não piora progressivamente com a idade. Com pouca luz, podem ver muito mal ou não ver. Durante o dia, a visão costuma ser normal, desde que não exista outra doença ocular.

Ao escurecer, um cavalo afetado precisa de percursos conhecidos e zonas suficientemente iluminadas. Pode hesitar ao entrar num atrelado escuro ou ao percorrer um corredor mal iluminado porque não consegue ver bem. Essa reação não deve ser confundida de imediato com desobediência. O veterinário e a equipa responsável pelos cuidados podem ajudar a preparar a iluminação e o alojamento. Convém apresentar-lhe os novos espaços primeiro à luz do dia.

A uveíte recorrente equina, conhecida pela sigla inglesa ERU, é outra doença. Trata-se de uma inflamação repetida ou persistente no interior do olho, capaz de causar danos permanentes na visão. O risco é maior nos Appaloosas, sobretudo nos que têm duas cópias de LP. Isso não significa que todos esses cavalos venham a desenvolver a doença. Um teste genético, por isso, não substitui um exame aos olhos.

Lacrimejo, vermelhidão, sensibilidade à luz ou um olho que o cavalo mantém fechado devem ser avaliados rapidamente por um veterinário. Nos Appaloosas, a inflamação também pode progredir de forma discreta, sem episódios de dor evidentes. São importantes exames oculares regulares, com intervalos definidos pelo veterinário para cada cavalo. Antes da compra, convém discutir os resultados de exames aos olhos e de testes genéticos que já existam.

Do cavalo jovem ao companheiro mais velho

Um Appaloosa jovem deve crescer com companhia equina adequada e oportunidades para se movimentar livremente. Sessões breves e tranquilas para aprender a ser conduzido, aceitar o toque e dar os cascos preparam-no para os cuidados futuros. As exigências devem acompanhar o seu desenvolvimento físico e mental. Quem tem pouca experiência deve contar com ajuda experiente ao assumir a educação de um cavalo jovem.

Num adulto, o treino deve corresponder à condição física atual. Depois de uma pausa longa, é preciso recuperar gradualmente a força muscular e a resistência. Com orientação experiente, sessões curtas e suaves podem aumentar aos poucos. Se a pausa se deveu a uma lesão, o veterinário deve participar no plano de regresso ao trabalho. Antes de recomeçar, também convém verificar os cascos, os dentes e o ajuste do equipamento.

Com a idade, os dentes, o peso, a musculatura e a mobilidade precisam de maior atenção. Se o cavalo tem dificuldade em mastigar o feno ou perde peso, convém investigar a causa e adaptar a alimentação. Um cavalo mais velho pode continuar a gostar de se movimentar, desde que o ritmo e o esforço respeitem o seu estado. Avaliações regulares ajudam a ajustar os cuidados e as atividades quando as necessidades mudam.

Escolher um Appaloosa para o teu dia a dia

Uma visita para conhecer o cavalo deve incluir mais do que um passeio curto. Vale a pena observar como se deixa apanhar na pastagem, escovar e selar. Também interessa saber que experiência tem de passeios, trânsito e trabalho com outros cavalos. O seu percurso deve adequar-se ao que pretendes fazer com ele. Uma pessoa experiente pode ajudar a avaliar os movimentos, o nível de preparação e a forma como se entendem.

Um exame veterinário independente antes da compra ajuda a interpretar os resultados tendo em conta as atividades previstas. No caso de um Appaloosa, convém falar especificamente sobre a saúde dos olhos. Os relatórios laboratoriais apresentados devem corresponder ao cavalo identificado e ser explicados por um profissional. Os documentos de ascendência e registo também devem poder ser verificados.

Além do preço de compra, o orçamento deve incluir alojamento, alimentação, aulas, cuidados dos cascos, veterinário e uma reserva para imprevistos. No planeador de custos, podes reunir valores das instalações que escolheste e da tua região. Convém combinar antecipadamente quem cuidará do cavalo nas férias ou em caso de doença. Um plano escrito para quem vai cuidar do cavalo permite registar a alimentação, as marcações e as necessidades particulares, como a iluminação para um cavalo com cegueira noturna.

Perguntas frequentes

Todos os cavalos com manchas são Appaloosas?

Não. Há padrões semelhantes noutras raças. Os documentos de ascendência e de registo que podem ser verificados ajudam a confirmar a origem de um Appaloosa. Também existem Appaloosas registados com uma pelagem praticamente uniforme.

O Appaloosa é adequado para principiantes?

Um Appaloosa bem ensinado, tranquilo e com experiência adequada pode ser uma boa escolha para quem começa. Durante a visita, convém contar com uma pessoa experiente para avaliar como te entendes com ele ao conduzi-lo à mão, escová-lo e montá-lo. Um cavalo jovem que ainda tem muito para aprender precisa de bastante mais orientação de pessoas experientes.

Todos os Appaloosas têm cegueira noturna?

Não. A cegueira noturna congénita associada a LP afeta os cavalos com duas cópias desta variante, identificadas como LP/LP. A aparência da pelagem não permite chegar a essa conclusão com segurança. Um teste genético e a avaliação veterinária ajudam a preparar os cuidados de cada cavalo.

Cegueira noturna e ERU são a mesma doença?

Não. A cegueira noturna congénita estacionária dificulta a visão quando há pouca luz e, por si só, não piora progressivamente. A ERU é uma inflamação no interior do olho que pode causar danos permanentes. Um cavalo pode ter as duas doenças. Vermelhidão, lacrimejo ou sensibilidade à luz devem ser avaliados rapidamente por um veterinário.

Fontes e créditos das fotografias

Créditos das fotografias

Fotografia: Leopard Appaloosa Horse. · gailhampshire · CC BY 2.0.

Fotografia: IMG_1259 · bankerssilvermoon · CC BY 2.0.

Fotografia: Appaloosa · Brittany Hogan · CC BY 2.0.

Fotografia: IMG_2117_edited-1 · bankerssilvermoon · CC BY 2.0.

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